"Five Nights At Freddy’s 2" traz clima de terror mais desenvolvido e melhores referências ao jogo
Com estreia no dia 4 de novembro, a continuação do filme inspirado no jogo "Five Nights At Freddy's" faz alusões mais ricas ao universo
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*Esta matéria contém spoilers
Uma atmosfera de terror mais desenvolvida, revelações que, até então, não pareciam que seriam inseridas à narrativa, e um final que dá margem a um terceiro e conclusivo filme... É desse jeito que Five Nights At Freddy's 2 se apresenta.
Dirigido por Emma Tammi e escrito por Scott Cawthon, que também desenvolveu e escreveu a franquia, o segundo filme da possível trilogia é classificado para maiores de 14 anos e estreia no dia 4 de dezembro nos cinemas brasileiros.
Um ano após os acontecimentos do primeiro filme, a história foca em Abby (Piper Rubio), irmã de Mike (Josh Hutcherson), que se reconecta com os animatrônicos. Isso desencadeia segredos sombrios e um horror esquecido por décadas, forçando Mike e a policial Vanessa (Elizabeth Lail) a protegê-la enquanto tentam lidar com a verdade.
Um filme de terror que parece filme de terror
"Five Nights At Freddy's 2" chega com tudo que o primeiro filme não possuia: personagens mais desenvolvidos, um clima tenso, digno de vários jumpscares, e o sobrenatural muito mais presente.
Nessa história, Abby consegue se reconectar com Freddy, Bonnie, Chica e Foxy. Mas, até isso acontecer, o filme introduz novos personagens e a primeira pizzaria, a Freddy Fazbear's Pizza original, é uma das principais.
Assim, é mostrado o início de tudo, desde as primeiras vítimas até o fechamento do local. Charlotte (Audrey Lynn-Marie), uma criança que descobre e consegue evitar o primeiro assassinato da Fazbear's, é morta por William Afton (Matthew Lillard), e, assim como os outros animatrônicos, o espírito da menina fica preso em um brinquedo, especificamente em uma marionete.
A introdução de McKenna Grace, que interpreta Lisa, é como uma personagem chave para a narrativa do longa-metragem, visto que, após visitar a pizzaria original, é possuída pela Marionete. A partir daí, os animatrônicos, que estavam sumidos, voltam a aparecer para Abby, a levando até o local. Então, os brinquedos conseguem se libertar e sair pela cidade em busca de vingança.
Um dos principais problemas do universo de FNAF representado nos filmes é a pouca conexão com o universo dos jogos. Pouquíssimas referências e um roteiro adaptado para fazer com que as pessoas que não conheçam o mundo também curtam a atmosfera, mas se perde e acaba não agradando - tanto quanto poderia - nem um, nem outro.
O segundo filme tenta recuperar os fãs da franquia trazendo grandes referências às histórias do jogo, algumas ações que o próprio usuário faz durante uma partida, escolhas mais coerentes com o que se é pedido em um jogo de terror, mas, por não iniciar o processo de grandes alusões no primeiro, o entusiasmo da assistida parece fazer jus apenas aos que conhecem.
Então, mesmo mais assustador e coeso com a franquia, o filme continua pesando para o lado do "mal representado", pois, se uma história é feita apenas para uma parcela entender, talvez precise rever como a trama está sendo introduzida e desenvolvida. Quando colocado na balança, Five Nights At Freddy's 2 parece ser um roteiro original com pouquíssimas inspirações, não uma adaptação.
Porém, é possível perceber uma - enorme - melhora na atmosfera sobrenatural pouco explorada no primogênito da Emma Tammi. Os sustos são compensados nesse filme e, apesar de não ter nada muito gráfico nas mortes que acontecem, o medo prevalece nas cenas.
Charlotte, em forma de espírito, consegue trazer para o universo o que estava esperado que ocorresse desde o longa lançado em 2023. Os animatrônicos também são mais assustadores, pois, dessa vez, a fantasia é com aspecto robótico até por fora e não bichinhos fofos de pelúcia representados anteriormente.
Algo que também incomoda muito são como os diálogos dos personagens são escritos. Em uma tentativa de, possivelmente, deixar o filme parecido com uma "gameplay", as conversas não parecem fluir naturalmente, é encenado até demais, quase caricato.
Vanessa é a que mais sofre com isso, desde o primeiro lançado. Com frases curtas, para dar uma sensação de suspense, e de efeito, Elizabeth Lail até tenta, mas deixa a personagem sem carisma nenhum. É como se ela fosse uma aba de dicas dentro do jogo, que aparece apenas quando clicada e depois some.
O plot twist e a revelação do filme também são esperados. O irmão de Vanessa foi até uma surpresa, apesar de ser jogado do nada para trazer mais riqueza à história e introduzir um novo vilão - lembrando até como a franquia de Pânico fazia isso.
Detalhes que passam despercebidos pelos personagens, mas são tão expositivos e repetitivos ao longo da trama que não tem como o próprio público não perceber. A possessão de Vanessa nos minutos finais era totalmente previsível, chegando até a ser uma reviravolta batida. É óbvio que a menina que tentava sair das garras assombradas do pai terá a pior consequência que ela poderia imaginar: ser possuída por um dos maiores feitos dele.
No fim, e apesar de tudo, Five Nights At Freddy's 2 diverte, traz uma nova atmosfera ao universo e deixa, gostando ou não, com um gosto de quero mais. Os pontos altos do filme são, sem dúvidas, a construção do terror e, claro, as referências dos jogos que deixam os olhos dos fãs brilhando. E, pelo visto, podem também brilhar no terceiro filme.