"Petróleo e gasolina não são como chocolate", diz economista sobre impacto da alta dos combustíveis
Debate da Super Manhã na Rádio Jornal discute tensão no Oriente Médio, preço da gasolina e impactos do petróleo na economia e na indústria
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A influência do petróleo na economia mundial e os impactos no preço dos combustíveis no Brasil foram tema do Debate da Super Manhã, da Rádio Jornal, nesta quarta-feira (11). Especialistas discutiram como conflitos geopolíticos, custos de produção e logística afetam diretamente o mercado e o bolso dos consumidores.
Durante o programa, o economista e cientista político Sandro Prado destacou que a elevação dos preços da gasolina tem efeitos diretos sobre o custo de vida da população. “Petróleo e gasolina não são como chocolate, que você para de comprar se o preço aumenta; eles impactam diretamente os custos logísticos e encarecem a vida dos pernambucanos”, afirmou.
Segundo relatos de ouvintes, nas últimas horas o preço médio da gasolina na Região Metropolitana do Recife chegou a R$ 7,49 ou R$ 7,50 por litro, mesmo sem anúncio recente de reajuste por parte da Petrobras.
Tensão internacional influencia preços
Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), Alfredo Pinheiro afirmou que o cenário internacional tem influência direta na formação de preços.
De acordo com ele, tensões envolvendo países produtores de petróleo, como o Irã, geram impactos no mercado global e acabam refletindo no valor dos combustíveis.
“Se compramos o produto mais caro das distribuidoras, precisamos repassar o preço para conseguir repor o estoque”, explicou.
Pinheiro também citou os chamados “aumentos invisíveis”, ligados à composição dos combustíveis no Brasil. Segundo ele, a gasolina contém cerca de 30% de etanol anidro, enquanto o diesel possui 14% de biodiesel na mistura.
O dirigente destacou ainda o peso dos tributos na formação do preço final. “Pagamos cerca de R$ 1,57 de ICMS na gasolina e R$ 0,80 de PIS/Cofins no diesel”, afirmou.
Impactos para a indústria
Gerente de política industrial da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Maurício Laranjeira ressaltou que a instabilidade na cotação do petróleo gera insegurança no planejamento industrial.
“O petróleo é crucial para a indústria, não apenas como combustível logístico, mas como insumo para a linha de produção”, disse.
Ele explicou que diversos setores utilizam derivados do petróleo em seus processos produtivos. Em Pernambuco, por exemplo, indústrias petroquímicas instaladas em Suape produzem resinas PET e embalagens baseadas em insumos vinculados à cotação internacional do petróleo.
Laranjeira também apontou que o cenário global permanece instável desde o fim da pandemia, influenciado por fatores como juros elevados, escassez de mão de obra e tensões geopolíticas.
Segundo ele, o Oriente Médio responde por cerca de 45% da produção mundial de petróleo, enquanto aproximadamente 20% do tráfego marítimo global passa pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte da commodity.
Efeito no custo dos alimentos
Para Sandro Prado, o aumento do diesel provoca uma chamada “inflação de custos”, que afeta diretamente o transporte de mercadorias e o preço final de diversos produtos.
“O aumento do diesel encarece o frete rodoviário e acaba elevando o preço de alimentos como tomate e alface”, afirmou.
Ele também comentou a rápida elevação dos preços da gasolina em postos da Região Metropolitana do Recife e defendeu que o tema seja analisado pelos órgãos de defesa da concorrência.
“Cabe ao Cade investigar se há cartelização ou acordos tácitos de mercado”, disse.
Alternativas e fiscalização
Durante o debate, Alfredo Pinheiro citou o gás natural veicular (GNV) como alternativa para motoristas, destacando que o combustível possui reajustes trimestrais e melhor rendimento por quilômetro rodado.
O presidente do Sindicombustíveis-PE também afirmou que o setor defende maior fiscalização na cadeia de distribuição para esclarecer a origem dos aumentos.
“O transporte rodoviário movimenta cerca de 85% da logística do Brasil, por isso qualquer alteração no preço dos combustíveis tem impacto imediato na economia”, afirmou.
Setor gera empregos
Segundo Alfredo Pinheiro, o setor de combustíveis tem grande relevância econômica no país. O Brasil possui cerca de 45 mil postos de combustíveis, que empregam aproximadamente 850 mil trabalhadores diretos.
“O posto de gasolina deve ser visto como uma ilha de serviços”, afirmou.