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"Petróleo e gasolina não são como chocolate", diz economista sobre impacto da alta dos combustíveis

Debate da Super Manhã na Rádio Jornal discute tensão no Oriente Médio, preço da gasolina e impactos do petróleo na economia e na indústria

Por Fagner Clemente Publicado em 11/03/2026 às 18:21 | Atualizado em 11/03/2026 às 18:29

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A influência do petróleo na economia mundial e os impactos no preço dos combustíveis no Brasil foram tema do Debate da Super Manhã, da Rádio Jornal, nesta quarta-feira (11). Especialistas discutiram como conflitos geopolíticos, custos de produção e logística afetam diretamente o mercado e o bolso dos consumidores.

Durante o programa, o economista e cientista político Sandro Prado destacou que a elevação dos preços da gasolina tem efeitos diretos sobre o custo de vida da população. “Petróleo e gasolina não são como chocolate, que você para de comprar se o preço aumenta; eles impactam diretamente os custos logísticos e encarecem a vida dos pernambucanos”, afirmou.

Segundo relatos de ouvintes, nas últimas horas o preço médio da gasolina na Região Metropolitana do Recife chegou a R$ 7,49 ou R$ 7,50 por litro, mesmo sem anúncio recente de reajuste por parte da Petrobras.

Tensão internacional influencia preços

Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), Alfredo Pinheiro afirmou que o cenário internacional tem influência direta na formação de preços.

De acordo com ele, tensões envolvendo países produtores de petróleo, como o Irã, geram impactos no mercado global e acabam refletindo no valor dos combustíveis.

“Se compramos o produto mais caro das distribuidoras, precisamos repassar o preço para conseguir repor o estoque”, explicou.

Pinheiro também citou os chamados “aumentos invisíveis”, ligados à composição dos combustíveis no Brasil. Segundo ele, a gasolina contém cerca de 30% de etanol anidro, enquanto o diesel possui 14% de biodiesel na mistura.

O dirigente destacou ainda o peso dos tributos na formação do preço final. “Pagamos cerca de R$ 1,57 de ICMS na gasolina e R$ 0,80 de PIS/Cofins no diesel”, afirmou.

Impactos para a indústria

Gerente de política industrial da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Maurício Laranjeira ressaltou que a instabilidade na cotação do petróleo gera insegurança no planejamento industrial.

“O petróleo é crucial para a indústria, não apenas como combustível logístico, mas como insumo para a linha de produção”, disse.

Ele explicou que diversos setores utilizam derivados do petróleo em seus processos produtivos. Em Pernambuco, por exemplo, indústrias petroquímicas instaladas em Suape produzem resinas PET e embalagens baseadas em insumos vinculados à cotação internacional do petróleo.

Laranjeira também apontou que o cenário global permanece instável desde o fim da pandemia, influenciado por fatores como juros elevados, escassez de mão de obra e tensões geopolíticas.

Segundo ele, o Oriente Médio responde por cerca de 45% da produção mundial de petróleo, enquanto aproximadamente 20% do tráfego marítimo global passa pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte da commodity.

Efeito no custo dos alimentos

Para Sandro Prado, o aumento do diesel provoca uma chamada “inflação de custos”, que afeta diretamente o transporte de mercadorias e o preço final de diversos produtos.

“O aumento do diesel encarece o frete rodoviário e acaba elevando o preço de alimentos como tomate e alface”, afirmou.

Ele também comentou a rápida elevação dos preços da gasolina em postos da Região Metropolitana do Recife e defendeu que o tema seja analisado pelos órgãos de defesa da concorrência.

“Cabe ao Cade investigar se há cartelização ou acordos tácitos de mercado”, disse.

Alternativas e fiscalização

Durante o debate, Alfredo Pinheiro citou o gás natural veicular (GNV) como alternativa para motoristas, destacando que o combustível possui reajustes trimestrais e melhor rendimento por quilômetro rodado.

O presidente do Sindicombustíveis-PE também afirmou que o setor defende maior fiscalização na cadeia de distribuição para esclarecer a origem dos aumentos.

“O transporte rodoviário movimenta cerca de 85% da logística do Brasil, por isso qualquer alteração no preço dos combustíveis tem impacto imediato na economia”, afirmou.

Setor gera empregos

Segundo Alfredo Pinheiro, o setor de combustíveis tem grande relevância econômica no país. O Brasil possui cerca de 45 mil postos de combustíveis, que empregam aproximadamente 850 mil trabalhadores diretos.

“O posto de gasolina deve ser visto como uma ilha de serviços”, afirmou.

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