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"Expectativa é de novo aumento no diesel e na gasolina", diz presidente da Abicom sobre a alta do petróleo

Sérgio Araújo explica que tensão no Oriente Médio e risco de bloqueio no Estreito de Ormuz pressionam o preço global do petróleo

Por Eduardo Scofi Publicado em 10/03/2026 às 11:16 | Atualizado em 10/03/2026 às 14:29

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A escalada do conflito no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado internacional de petróleo e acendeu um alerta entre os países consumidores.

Com o barril chegando a ultrapassar os US$ 100 e reuniões emergenciais do G7 para discutir o tema, especialistas avaliam que o impacto pode chegar rapidamente ao bolso do consumidor.

Em entrevista ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal, o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, explicou que a instabilidade no Irã afeta diretamente a produção e o fluxo global da commodity.

Estreito de Ormuz como ponto de tensão

Segundo ele, o principal ponto de tensão é o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo.

“Com o fechamento do Estreito de Ormuz, a gente tem uma grande quantidade de petróleo retida, impossibilitada de sair para outros países para serem refinados e gerar os derivados”, afirmou.

O efeito já foi sentido nas cotações internacionais: o barril chegou a US$ 119 e depois recuou para cerca de US$ 90, ainda em um patamar elevado.

Para Araújo, essa volatilidade tende a impactar diretamente os combustíveis no Brasil. “Aqui no Brasil, a nossa expectativa é de que ainda vai ter mais aumento, tanto no óleo diesel quanto na gasolina”, disse.

Alternativa para carros flex

Com a possível alta nos combustíveis fósseis, uma alternativa para parte dos motoristas brasileiros pode ser o etanol, especialmente para quem possui veículos com tecnologia flex.

Araújo explicou que o mercado do biocombustível atravessa atualmente o período de entressafra, mas que a situação deve mudar nas próximas semanas.

“O etanol está numa entressafra. A moagem e produção começam a partir do mês que vem, com uma tendência de redução do preço, podendo se tornar mais competitivo”, afirmou.

Segundo ele, isso pode favorecer consumidores de veículos leves. Já no caso do diesel, utilizado principalmente no transporte de cargas e passageiros, não há substituto imediato, expondo a população a essas variações. 

Reunião do G7 pode aliviar preços

Diante da escalada do petróleo, países do G7 convocaram uma reunião de emergência para discutir medidas capazes de conter a disparada dos preços.

Entre as alternativas está a possibilidade de liberar reservas estratégicas de petróleo no mercado internacional, o que poderia provocar um alívio momentâneo.

“De fato pode ter, num primeiro momento, uma redução com a liberação de barris de petróleo após essa reunião do G7”, avaliou Araújo. No entanto, ele ressalta que qualquer queda pode ser temporária caso o conflito militar se prolongue.

Risco de nova alta se conflito continuar

Para o presidente da Abicom, o fator decisivo para os preços seguirá sendo a duração da crise no Oriente Médio. Se o bloqueio logístico na região persistir, a tendência é de nova pressão sobre as cotações.

Segundo ele, o problema está no impacto direto sobre a oferta global de petróleo:

“Com essa retenção e a impossibilidade desse petróleo sair, os países localizados no Golfo Pérsico vão precisar reduzir a produção. Isso provoca um desbalanceamento entre oferta e demanda e, com a redução da oferta, a tendência é de elevação de preço”, explicou.

Araújo também alerta que a crise pode atingir cadeias produtivas que dependem do comércio internacional, como a de fertilizantes, produtos químicos e até da entrada de alimentos.

Sem previsão de solução para a crise

Apesar das tentativas diplomáticas, o especialista afirma que ainda não há sinais claros de que o conflito esteja perto de uma solução. Para ele, enquanto não houver avanço nas negociações internacionais, o mercado de petróleo continuará sujeito à instabilidade.

“Sabendo que a cada dia que passa a situação vai ficando mais complicada, infelizmente a gente não tem sinalização de acordo ou de uma saída diplomática para o conflito”, concluiu.

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