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Correios precisam atacar causas do déficit para se recuperar, diz pesquisador

Reestruturação, empréstimos e programas de demissão voluntária podem ajudar, mas não resolvem problemas históricos da estatal, avalia Nelson Rocha

Por Cristiane Ribeiro Publicado em 15/12/2025 às 10:44 | Atualizado em 15/12/2025 às 12:02

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A crise financeira dos Correios tem se agravado nos últimos anos, e medidas como reestruturação, programas de demissão voluntária e empréstimos emergenciais são apontadas como soluções temporárias.

Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, Nelson Rocha, pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e presidente da CAERJ, destacou que a estatal precisa atacar as causas estruturais do déficit para recuperar a sustentabilidade.

Histórico de prejuízos e perda de foco

Rocha explicou que, ao longo do tempo, os Correios foram perdendo o foco em seu serviço principal, que é o envio de correspondências, e migraram para atividades de logística impulsionadas pelo comércio digital. Apesar de terem oportunidades nesse setor, a estatal acumulou prejuízos contínuos.

"Se você pegar os últimos 10 anos, você tem resultados negativos reiterados, com poucos momentos de resultado positivo. Tem jeito? Tem, mas depende de como se administra", afirmou o especialista, ressaltando que é necessário entender o perfil da dívida e os fatores que geraram os déficits.

Medidas temporárias não bastam

O especialista avaliou que empréstimos e aportes do governo federal ajudam apenas a ajustar o fluxo de caixa, mas não atacam o problema de forma estrutural. "Não haverá solução se não for a raiz do problema. É necessário entender por que os Correios vêm dando resultado operacional negativo", disse.

Ele destacou que soluções como programas de demissão voluntária ou modernização de agências podem ser úteis, mas apenas se acompanhadas de uma reestruturação que reduza custos e aumente a eficiência operacional.

Estrutura e competitividade

Rocha também apontou que a própria estrutura da empresa dificulta a competitividade com plataformas privadas de entrega. "Os Correios entregam até a ponta por conta própria, mas em locais em que a agência não se sustenta financeiramente. É difícil concorrer quando a iniciativa privada visa lucro, e o governo precisa conciliar resultado com serviço à população", explicou.

Além disso, o pesquisador afirmou que mudanças na legislação poderiam permitir à estatal competir de forma mais ágil, citando como exemplo a abertura de mercado da Petrobras na década de 1990.

Ele também defendeu a necessidade de indicações técnicas e competentes para cargos de gestão, independentemente de governo ou partido, para evitar problemas de administração que se repetem ao longo de diferentes gestões.

Privatização e gestão

Ao comentar a discussão sobre privatização, Rocha afirmou que os Correios não são, a rigor, uma atividade iminentemente estatal, e que, na avaliação dele, a empresa poderia ser privatizada. No entanto, reforçou a importância de ter gestores competentes enquanto a companhia permanece sob controle do governo.

Ouça ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal

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