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Falta de 'previsibilidade orçamentária' ameaça projetos do Exército, afirma Comandante

Na Rádio Jornal, General Maurílio Miranda Neto Ribeiro citou a Escola de Sargentos e o monitoramento de fronteiras (SISFRON) como os mais afetados

Por Pedro Beija Publicado em 11/11/2025 às 20:55

O General de Exército Maurílio Miranda Neto Ribeiro, Comandante Militar do Nordeste, apontou, em entrevista à Rádio Jornal, nesta terça-feira (11), que a indefinição orçamentária é um desafio central para a capacidade operativa do Exército Brasileiro.

Durante a Super Manhã, o general afirmou que a falta de "previsibilidade orçamentária" impacta diretamente a execução de projetos estratégicos vitais para a defesa e segurança pública, como o Sistema de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) e a implantação da nova Escola de Sargentos em Pernambuco.

A entrevista, conduzida por Tony Araújo, contou com a participação do diretor de Jornalismo do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), Laurindo Ferreira, e do colunista e apresentador Igor Maciel. O debate sobre o financiamento das Forças Armadas, classificado por Laurindo como um "tema muito presente", foi ponto central da conversa.

Junior Souza/JC Imagem
Em entrevista à Rádio Jornal, o General Maurílio Miranda Neto Ribeiro explicou que tecnologia para fronteiras e obras da Escola de Sargentos dependem de verba contínua - Junior Souza/JC Imagem

Para o General, que assumiu o CMNE em janeiro de 2024, a questão não é julgar o orçamento, mas entender sua finalidade.

"Não se trata de achar que o orçamento é pouco, é alto", ponderou.

Segundo ele, para que o Exército cumpra sua "missão constitucional" de defender a pátria, ele "necessita fundamentalmente de sistemas e materiais de emprego militar".

Evolução dos conflitos exige investimentos em tecnologia

O General Maurílio ressaltou que a evolução dos conflitos modernos exige tecnologia de ponta, citando o uso recente de drones por facções criminosas no Rio de Janeiro.

"Na guerra, aquele que tem um arcabouço de materiais de emprego militar com tecnologias mais avançadas, vai se sobrepor ao inimigo", disse.

"O que se trata é que o Exército Brasileiro para cumprir a sua missão constitucional, ele necessita fundamentalmente de sistemas e materiais de emprego militar que o assegurem a capacidade de se contrapor a toda de qualquer ameaça, protegendo o desenvolvimento nacional e protegendo o bem-estar das pessoas. E para isso é necessário ter orçamento," complementou.

Questionado também sobre uma eventual participação do Exército em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Rio de Janeiro , o General Maurílio Neto reafirmou que essa é uma missão constitucional e que as tropas se preparam anualmente para isso.

O general frisou, contudo, que o emprego das Forças Armadas ocorre apenas após o estado declarar que seus meios são "insuficientes" e por determinação do Presidente da República.

Desafio das fronteiras e orçamento

Questionado sobre a atuação efetiva do Exército na segurança pública a nível nacional, especificamente no controle de fronteiras para coibir a entrada de armas, o comandante admitiu a complexidade da missão. Com quase 17.000 km de fronteira , ele afirmou não ser "factível" posicionar soldados em toda a extensão.

A solução, segundo o general, é "ter efetivo mais fortemente suportado por tecnologia inovadora de alto valor agregado". Ele destacou a existência do programa estratégico SISFRON (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras).

No entanto, o general revelou que o cronograma do projeto está sendo constantemente reajustado, e que orçamento não tem permitido que o Exército cumpra as etapas originalmente visualizadas para o SISFRON e programas de fronteira.

Para o General Ribeiro, a eficácia na defesa das fronteiras depende da garantia de investimento contínuo.

"É necessário ter a chamada previsibilidade orçamentária. É preciso que você tenha orçamento assegurado ano após ano próprio para investimento em tecnologias", afirmou.

Junior Souza/JC Imagem
Super Manhã da Rádio Jornal recebeu o General de Exército Maurílio Miranda Neto Ribeiro, comandante do Comando Militar do Nordeste (CMNE), nesta terça-feira (11) - Junior Souza/JC Imagem

Dificuldades com orçamento afetam projeto da Escola de Sargentos em PE

O mesmo desafio financeiro se aplica à implantação da Escola de Formação e Graduação de Sargentos de Carreira do Exército em Pernambuco. Ao ser perguntado sobre o status do projeto, o general confirmou que houve progressos: "demos passos para frente".

Ele detalhou que os projetos arquitetônicos avançaram, com apoio da UFPE , e que as discussões ambientais evoluíram para o "plano de compensação ambiental". Contudo, a principal barreira continua sendo a verba.

"O orçamento não é um tema que a gente possa dizer que tá resolvido, não tá resolvido", admitiu o comandante.

Embora o cronograma para o início da terraplanagem esteja mantido para "no máximo o início de 27", sua execução depende do financiamento. O general destacou, porém, que o ministro da Defesa, José Múcio, "está muito engajado" para ajudar a superar tanto o desafio ambiental quanto o "desafio do financiamento do programa".

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