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Ciclo positivo favorece Lula, mas não garante favoritismo para 2026, avalia diretor da Quaest

Guilherme Russo analisou desempenho do presidente na pesquisa Quaest divulgada nesta quinta (9) e avaliou avanço de Ciro Gomes contra o petista

Por JC Publicado em 09/10/2025 às 12:28

O diretor de Inteligência da Quaest, Guilherme Russo, analisou os dados mais recentes da pesquisa sobre a corrida eleitoral e avaliou que o cenário é favorável ao presidente Lula, mas ainda é cedo para falar em favoritismo. No levantamento divulgado nesta quinta-feira (9), o petista derrotaria todos os adversários na disputa pela presidência em 2026.

“Estamos num ciclo muito positivo para o governo. Lula é o favorito no primeiro turno e muito forte no segundo, mas a aprovação ainda está numericamente abaixo da desaprovação, 48% a 49%. Então vamos com calma”, disse Russo em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal.

Ele destacou fatores que favoreceram o governo neste ano, como melhora na inflação de alimentos e repercussão de medidas econômicas. Por outro lado, ponderou que a direita ainda não está organizada para as eleições de 2026, o que pode representar um risco para Lula no ano que vem.

"Os únicos nomes que se declararam candidatos são Romeu Zema e Ronaldo Caiado, que figuram mal nas pesquisas. No ano que vem, a direita terá mais recursos, tempo de TV e atenção da mídia para se mobilizar”, avaliou.

Ouça a entrevista na íntegra

Ciro Gomes com bom desempenho

Guilherme Russo destacou que, entre os nomes considerados na pesquisa, Ciro Gomes (PDT) aparece como aquele que apresenta a menor diferença em comparação com Lula no segundo turno, em torno de nove pontos percentuais, abaixo da registrada contra Jair Bolsonaro (PL).

Russo explicou que o desempenho mais próximo de Ciro se deve a dois fatores. “Na comparação com o Lula direto, no segundo turno, ele captura parte do voto antipetista. Cerca de 50% dos bolsonaristas votariam no Ciro contra Lula, 60% da direita moderada também, e ele ainda rouba quatro a cinco pontos percentuais do Lula”, disse.

Segundo o diretor, qualquer candidato de centro-esquerda que consiga atrair eleitores antipetistas teria potencial de pressionar Lula. “O primeiro turno é o grande desafio para um candidato de centro-esquerda ou centro-direita. Lula já conquistou grande parte da esquerda, então é difícil. Mas se essa candidatura passar para o segundo turno, ela se torna competitiva com Lula”, completou.

Cenário da esquerda e possíveis nomes além de Lula

Sobre alternativas caso Lula não pudesse concorrer, Russo citou três nomes fortes do governo: o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda Fernando Haddad e a ministra do Planejamento Simone Tebet.

Segundo ele, Haddad seria o nome natural, por ser filiado ao Partido dos Trabalhadores, por já ter sido candidato à presidência e por atuar como ministro, com forte reconhecimento nacional.

Russo disse não acreditar numa possível candidatura de Tebet à presidência. Ele comentou os rumores de que ela poderia ser lançada para o Senado em São Paulo, apesar de ser do Mato Grosso do Sul, como estratégia de fortalecimento de um candidato moderado em estado-chave.

"É difícil o PT abrir mão de ter um candidato próprio se Lula não puder concorrer. Nenhuma pesquisa nossa testa Tebet como presidenciável, até o momento”, afirmou Russo.

Desafios do governo entre grupos conservadores

O diretor da Quaest comentou a alta desaprovação do governo entre os evangélicos, que chega a 63%. Segundo ele, a avaliação negativa decorre da falta de grandes entregas concretas percebidas por esse grupo, como reforma tributária e mudanças no imposto de renda.

“Nos grupos que não votaram em Lula, ainda há muita hesitação em aprovar o governo. Os evangélicos e a direita nem sabem quem serão os candidatos e estão em um momento mais negativo, devido ao julgamento de Bolsonaro e à descoordenação entre candidatos”, concluiu.

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