PT diz que respeitará decisão de Alckmin sobre permanência na chapa de Lula
Edinho Silva afirma que vice-presidente definirá seu papel na eleição de outubro, diálogo com UB e PP e reforça apoio do partido à CPI do Master
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O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta terça-feira (10) que o partido respeitará uma eventual decisão do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) de permanecer na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição de outubro.
Segundo ele, a composição ainda não está fechada e caberá ao próprio Alckmin definir o papel que pretende desempenhar na disputa.
A declaração sinaliza que o PT evita tensionar publicamente a relação com Alckmin e com o PSB, em meio às discussões sobre a formação da chapa e à possibilidade de o vice disputar o governo de São Paulo.
“Quando digo que o Alckmin será candidato àquilo que ele quiser é exatamente isso. Se ele entender que o melhor papel que ele pode cumprir é continuar na vice do Lula, nós respeitaremos essa vontade por esses fatores”, afirmou Edinho em entrevista à GloboNews. Segundo ele, “Alckmin tem cumprido um papel fundamental e respeitamos esse papel”.
Há meses, o nome de Alckmin é cotado como possível candidato ao governo paulista, embora o vice-presidente nunca tenha manifestado publicamente esse desejo. As articulações partem, em geral, de setores do PT, que defendem a abertura de espaço na chapa presidencial para um partido de centro, como o MDB.
Edinho afirmou que Lula terá “um palanque muito forte” em São Paulo e disse que o PT trabalha na construção de um programa voltado, principalmente, à área de segurança pública.
“Um programa de segurança não se resume à letalidade policial. Envolve tecnologia e valorização da carreira”, afirmou, citando os baixos salários das polícias paulistas.
Haddad é o nome de São Paulo, diz Edinho
Questionado sobre possíveis nomes para a disputa estadual, Edinho evitou confirmar candidaturas, mas reconheceu o peso político do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).
“É o principal ministro do governo Lula, uma liderança inquestionável e de São Paulo. Mas ninguém é candidato sem ser convencido a ser candidato”, disse. “Hoje o ministro Fernando Haddad é o nome de São Paulo.”
Aproximação com União Brasil e PP
Edinho afirmou ainda que tem mantido conversas com lideranças do União Brasil e do Progressistas (PP) sobre o projeto nacional do presidente Lula e sobre as disputas estaduais.
Segundo ele, apesar das divergências, o diálogo é necessário, já que as duas siglas integram a base do governo e ocupam ministérios.
“São partidos que participam do governo, têm ministérios. É natural que existam contradições, mas precisamos dialogar para debater o projeto nacional e as eleições estaduais”, afirmou.
O dirigente evitou comentar diretamente um encontro com o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, e afastou qualquer mudança na estratégia eleitoral do PT no Piauí para beneficiá-lo.
O governador Rafael Fonteles (PT) é candidato à reeleição, e as candidaturas ao Senado já estão definidas: Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD).
Uma das hipóteses ventiladas para favorecer Ciro Nogueira, que disputará a reeleição ao Senado, seria o PT apoiar apenas um candidato à Casa, o que foi descartado por Edinho. “Nossa tática eleitoral no Piauí está decidida”, afirmou.
Sobre o cenário eleitoral nacional, Edinho disse que a polarização no Brasil reflete um movimento internacional.
“O mundo está empobrecido, há um sentimento antissistema, que enfraquece a democracia representativa e explica o fenômeno da polarização no Brasil”, afirmou.
O presidente do PT também considerou natural a consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como nome do campo da direita.
“Qualquer candidato que se colocasse como representante desse campo na polarização iria se consolidar com muita rapidez, e é isso que aconteceu”, disse.
CPI do Master
Edinho reafirmou o apoio do PT à instalação da CPI do Master, mas destacou a necessidade de superar divergências partidárias para construir uma agenda comum.
“Se conseguirmos, mesmo com as divergências partidárias, construir uma agenda de interesse do povo brasileiro que unifique boa parte dos partidos políticos, penso que isso é favorável. Estamos trabalhando nesse sentido”, afirmou.
Levantamento do Estadão mostra que, na Câmara dos Deputados, 37 parlamentares do PT são favoráveis à criação da CPI. No Senado, seis senadores petistas apoiam a iniciativa.