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Marília Arraes evita definir chapa na disputa ao Senado, mas reforça apoio a João Campos e Lula

Líder nas pesquisas, ex-deputada afirma que definição da chapa ficará para o tempo certo e que prioridade é a unidade do campo aliado

Por Rodrigo Fernandes Publicado em 09/02/2026 às 12:02

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A ex-deputada federal Marília Arraes (Solidariedade), pré-candidata ao Senado por Pernambuco nas eleições de outubro, afirmou que ainda não é o momento de se colocar formalmente como candidata, mas avaliou que não pode descartar o desempenho registrado na pesquisa Datafolha da última sexta-feira (6).

No levantamento, Marília liderou com folga quatro cenários da disputa pelo Senado no estado, à frente de todos os demais concorrentes testados.

Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta segunda-feira (9), Marília ponderou que, apesar de não considerar adequado antecipar movimentos eleitorais, o resultado da pesquisa indica reconhecimento popular e respaldo às posições que vem defendendo.

“Diante do cenário que está posto, não vou dizer a você que não sou candidata de forma alguma, até porque, como a pesquisa mostrou, sempre que coloca o nosso nome a gente é lembrado, as pessoas demonstram confiança nos posicionamentos que eu tenho. Então isso é importante para a gente mostrar que a gente não está simplesmente se colocando, mas que o povo de Pernambuco está nos chamando para uma disputa, e eu me coloco sempre à disposição dos chamados do nosso povo”, afirmou.

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A pré-candidata reforçou que apoiará o prefeito do Recife, João Campos (PSB), na disputa pelo Governo de Pernambuco, e estará ao lado do presidente Lula, independentemente da composição final da chapa da qual venha a participar.

A fala ocorre em meio a um cenário de ampla disputa por espaços na chapa majoritária de João Campos. Além de Marília, são citados como possíveis nomes o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos); o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil); e o senador Humberto Costa (PT), que buscará a reeleição. A presença de tantos nomes, a depender da articulação nacional do PSB, poderia reduzir o espaço para Marília na chapa.

Nos bastidores, também circula a informação de que a ex-deputada pode deixar o Solidariedade e migrar para o PDT, disputando a eleição pelo novo partido mesmo sem uma chapa completa ao governo estadual. Ainda assim, Marília afirmou que seu posicionamento político está definido.

“Eu tenho candidato a governador que se chama João Campos e tenho candidato a presidente que se chama Lula. É assim que eu me posiciono, não tem por que ficar barganhando. Tem muita gente que está por aí preocupada somente consigo mesma e barganhando espaço no lado A ou B”, disse.

Ela acrescentou que mantém diálogo constante com o prefeito do Recife e defendeu que a condução do processo eleitoral cabe ao candidato ao governo, em articulação com o presidente da República.

“Eu tenho lado, eu tenho posição e sempre converso com João Campos, essa relação está bastante alinhada, e a gente vai conduzir esse processo da melhor maneira. Claro que ele é quem deve ser o condutor, pois é o candidato ao governo, mas ele, junto com o presidente Lula, vai ter que fazer todos os cálculos necessários para que o projeto seja vitorioso. Esse é um projeto de todos nós. Essa é a contribuição que eu puder dar, sem dúvida alguma, darei para que a gente tenha o máximo de harmonia no nosso grupo”, completou.

Marília também enviou um recado a outros pré-candidatos que orbitam a chapa de João Campos, ainda que sem citar nomes, ao criticar movimentos antecipados na disputa pelo Senado.

“Num cargo como o Senado a gente não tem que ter o papel de estar complicando, porque tem muita gente que está sendo candidata de si mesma e complicando toda a questão, principalmente pressionando o candidato a governador, que nem ele próprio confirmou se se colocou como candidato a governador. Então, não acho que ninguém tenha que estar se colocando no momento como candidato ou candidata ao Senado”, afirmou.

Divisão de votos com Humberto

Na pesquisa do Datafolha divulgada na semana passada, Marília Arraes aparece em primeiro lugar nos quatro cenários testados para o Senado, com vantagem confortável em relação ao segundo colocado, posto ocupado justamente pelo senador Humberto Costa, do PT, aliado histórico do presidente Lula.

Embora a eleição de outubro escolha dois nomes para o Senado, Humberto, mesmo em segundo, surge tecnicamente empatado com outros pré-candidatos de perfil de centro e centro-direita, o que amplia as especulações sobre o comportamento do eleitorado.

Nos bastidores, há quem avalie que as candidaturas de Marília e Humberto se chocariam e acabariam dividindo votos. Questionada se considera possível a eleição de ambos, Marília discordou da tese.

“Quem vota em mim, vai ter direito de votar em outro senador também. E essa pessoa que vota em Marília Arraes tem uma tendência a votar em alguém de direita ou de centro-direita? Eu acho que não. Acho que quem está tendendo mais a votar em Marília Arraes tem uma tendência maior em votar em algum outro aliado do presidente Lula. Então, muito pelo contrário, a gente precisa ter mais candidatos da esquerda para que a gente atraia esses votos e puxe voto um para o outro”, analisou a ex-deputada.

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