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Sóstenes Cavalcante nega desvios de cota parlamentar e diz que R$ 430 mil apreendidos são de venda de imóvel

Em coletiva após operação da PF, nesta sexta-feira (19), líder do PL afirma que dinheiro encontrado em sua casa é lícito e acusa perseguição política

Por Pedro Beija Publicado em 19/12/2025 às 16:08 | Atualizado em 19/12/2025 às 16:24

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*Com informações de Estadão Conteúdo

Alvo da Operação Galho Fraco, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (19), o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados, negou ter cometido qualquer irregularidade relacionada ao uso da cota parlamentar e afirmou que os cerca de R$ 430 mil encontrados em sua residência são provenientes da venda de um imóvel.

“Não tem nada de contrato ilícito. Não tem nada de lavagem de dinheiro”, afirmou o parlamentar em entrevista coletiva concedida no Salão Verde da Câmara. Segundo Sóstenes, o dinheiro apreendido pelos agentes da PF tem origem lícita e será devidamente comprovado por seus advogados.

“Ninguém pega dinheiro ilícito e bota dentro de casa”, disse.

De acordo com o deputado, o valor foi recebido em espécie na negociação de um imóvel, realizada recentemente. Ele afirmou que o comprador optou por pagar em dinheiro e que, por conta da rotina intensa de trabalho, acabou não realizando o depósito bancário.

“Com essa correria de trabalho acabei não fazendo o depósito”, explicou.

Questionado, Sóstenes disse não se lembrar exatamente quando a venda foi concluída e afirmou que não irá divulgar a localização do imóvel, alegando tratar-se de uma transação privada.

Aluguel de carros e contratos sob suspeita

A investigação da Polícia Federal apura supostos desvios de recursos da cota parlamentar por meio de contratos de aluguel de veículos. Sobre o tema, Sóstenes afirmou que os carros contratados pelo gabinete são efetivamente utilizados e que, por isso, não haveria irregularidade.

“O carro sempre esteve aqui, é só olhar as câmeras para buscar e ver se estou colocando algum contrato para ressarcimento ilícito”, declarou. Ele disse ainda que sempre buscou economizar recursos públicos. “Eu sempre usei um Corolla usado e não novo, para gastar menos com a cota. Eu pago o menor valor da Câmara”, afirmou.

Questionado sobre a locadora contratada, que, segundo a investigação, não funcionaria no endereço informado nos contratos, o deputado disse não acompanhar os detalhes administrativos das contratações.

“A única orientação que dou à minha equipe é para o preço baixo, não quero sobrepreço”, disse.

Críticas ao Coaf e alegação de perseguição política

Durante a coletiva, Sóstenes também criticou informações produzidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações financeiras atípicas envolvendo assessores ligados ao parlamentar, que somariam cerca de R$ 28,6 milhões, segundo relatório parcial da PF.

Para o deputado, o órgão falha ao analisar movimentações acumuladas ao longo de um período extenso, sem considerar a origem dos recursos. Ele citou o caso de um motorista que, além do trabalho no gabinete, teria outras fontes de renda no comércio.

Sóstenes classificou a investigação como perseguição política e afirmou que a operação teria o objetivo de atingir parlamentares da oposição.

“É mais uma investigação para perseguir quem é da oposição, quem é conservador, quem é de direita”, disse.

Segundo ele, a apuração serviria como “cortina de fumaça” diante de outros escândalos, sobretudo com a proximidade das eleições de 2026.

O que diz a investigação

Relator do caso no Supremo Tribunal Federal, o ministro Flávio Dino autorizou o cumprimento de ao menos sete mandados de busca e apreensão pessoal, veicular e em imóveis, além da quebra de sigilos, e retirou o sigilo da decisão que embasou a operação.

Segundo o relatório parcial da Polícia Federal, um dos principais alvos da investigação é Adailton Oliveira dos Santos, assessor ligado à liderança do PL, que teria movimentado mais de R$ 11 milhões em créditos e valor semelhante em débitos entre 2023 e 2024. Para os investigadores, as transações são incompatíveis com a capacidade econômica declarada e parte delas não teve origem ou destino identificado.

A Operação Galho Fraco apura suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo o uso da cota parlamentar destinada ao custeio das atividades dos gabinetes.

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