Rumo a provável disputa com João Campos, Raquel Lyra diz que 'próximos cinco anos definirão os próximos cinquenta anos' de Pernambuco
Em evento, Raquel afirmou que "agenda de Pernambuco não é a da próxima eleição" e que "muitos tentam antecipar o fim do meu mandato todos os dias"
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A governadora Raquel Lyra (PSD) afirmou, nesta segunda-feira (1º), que o momento atual vivido em Pernambuco representa uma "janela de oportunidade" histórica, em que os próximos cinco anos serão determinantes para os próximos cinquenta no desenvolvimento do Estado.
O período citado por ela corresponde ao último ano do mandato atual e mais os quatro anos de quem vencer as eleições do ano que vem para governador de Pernambuco. A governadora é candidata a reeleição, com grande possibilidade de uma disputa com o prefeito do Recife, João Campos (PSB).
“Temos uma janela de oportunidade da nova economia. E o mundo enxerga isso em nós. A gente fala de 2037, mas eu acho que os próximos cinco anos definirão os próximos cinquenta anos. O mundo está querendo investir na gente”.
A fala ocorreu durante a palestra Perspectivas de Futuro para o Desenvolvimento de Pernambuco, em evento promovido pela Revista Algomais e pela Rede Gestão, no RioMar Trade Center, no Recife, a gestora utilizou o balanço de suas ações econômicas como plataforma para enviar recados políticos.
Em seu discurso, Raquel contrapôs o que chamou de "agenda de eleição" à uma "agenda de geração". Vivendo uma crise com a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e sendo alvo constante dos oposicionistas - de maioria do PSB na Casa -, a governadora afirmou que a união política é um dos principais desafios do Estado.
A governadora, contudo, reforçou que o foco deve ser "o agora", alertando que a disputa política precoce pode custar caro ao desenvolvimento de Pernambuco. “A agenda de Pernambuco não é a da próxima eleição, é a da próxima geração”, disse Raquel. “Embora tenha gente que queira antecipar o fim do mandato todo dia, eu tenho, pelo menos, 13 meses de poder”, completou.
Pernambuco “assistiu silente” à perda da Transnordestina
No trecho mais crítico sobre a herança da gestão passada - Paulo Câmara (PSB) comandou o Estado por oito anos -, Raquel Lyra lamentou a falta de articulação que, segundo ela, isolou o Estado de grandes projetos de infraestrutura.
O alvo principal foi, segundo Raquel, a condução do projeto da ferrovia Transnordestina pelos governos do PSB. “Pernambuco assistiu, silente, à Transnordestina ser retirada do mapa. Dizendo que existia uma alternativa que não existia”, afirmou a governadora.
Ela relatou que, ao negociar prioridades com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), colocou a ferrovia ao lado do Metrô do Recife e da Adutora do Agreste. “Se a gente não retoma isso, a gente perde 20 anos, 30 anos.”
Governadora cobra bancada no Congresso
A governadora subiu o tom ao relatar o que classificou como "sabotagem" nos bastidores do Congresso Nacional. Segundo ela, enquanto sua gestão buscava destravar investimentos, adversários políticos trabalhavam para impedir o acesso do Estado a recursos. “Eu lutava pela operação de crédito, saía do gabinete do presidente e tinha gente lá que queria que eu não tivesse acesso à operação de crédito”, revelou.
Para a governadora, a falta de uma "agenda única" faz com que o Estado perca competitividade para vizinhos que, independentemente das disputas locais, se unem em Brasília. “Se a gente não tiver capacidade de nos unir, se não tivermos uma agenda única e estratégica, nós vamos continuar brigando uns com os outros, pensando sempre na próxima eleição”, disse.
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Para ilustrar o suposto prejuízo causado pela desarticulação da bancada federal, fez um comparativo com o Ceará. “O Ceará agora fechou com R$ 400 milhões de emenda de bancada. Nós fechamos esse ano com R$ 20 milhões de emenda de bancada”, lamentou.
Ela completou com um apelo: “Todo mundo me pede obra, mas as pessoas também precisam me ajudar a fazer obras”.
Pernambuco como “negócio seguro para investir”
Na fala, Raquel citou retomada de obras, segundo ela, paralisadas de gestões anteriores, investimentos em estradas, expansão de programas habitacionais e ações de abastecimento de água e saneamento e investimentos em saúde e educação.
De acordo com a governadora, com as ações realizadas, Pernambuco se tornou um “negócio seguro para investir”. “Nós estamos crescendo nos investimentos certos”, disse.
A governadora reforçou que os esforços estão sendo aplicados para garantir que o Estado tenha competitividade e que, eventualmente, chegue à liderança da região.
E comparou Pernambuco com Paraíba, Ceará e Alagoas. “Olha para a Paraíba, cresceu 10% o PIB. Há uns dois anos atrás, ou três, Alagoas investiu 20% da sua Receita Corrente Líquida. A gente estava investindo 3% ou 2%. Ceará crescendo, a Bahia crescendo, e nós?”