Política | Notícia

New York Times não noticiou suposta investigação de Trump contra Eduardo Bolsonaro

Vídeos com uso de IA sugerem pedido de apuração do presidente norte-americano contra deputado brasileiro, mas não há registros de investigação

Por Projeto Comprova Publicado em 29/08/2025 às 14:40

Clique aqui e escute a matéria

O jornal norte-americano The New York Times não noticiou nenhum pedido de investigação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o deputado federal brasileiro Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o aliado bolsonarista Paulo Figueiredo.

Vídeos que circulam nas redes sociais afirmam que o veículo publicou reportagem informando sobre um pedido de Trump ao secretário Marco Rubio para apurar as informações repassadas por Eduardo Bolsonaro sobre o Brasil por suspeita de que elas “estariam sendo transmitidas de forma distorcida”.

O jornal, no entanto, não publicou nenhuma reportagem sobre o tema.

Em busca no site do NYT, o resultado mais recente envolvendo Eduardo Bolsonaro é uma matéria de 20 de agosto.

Ela abordava o plano de Bolsonaro de pedir asilo à Argentina, revelado pela Polícia Federal naquela semana, quando o ex-presidente e o filho foram indiciados em investigação por suposta coação no curso do processo.

Antes disso, o resultado disponível é de 5 de agosto, de reportagem sobre a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e também cita que Eduardo “passou meses fazendo lobby na Casa Branca para ajudar o pai”.

A última matéria que aparece na busca do NYT e fala especificamente sobre Eduardo Bolsonaro é de 18 de março.

A notícia afirma que o deputado brasileiro iria pedir asilo político aos Estados Unidos e denunciar suposta perseguição ao pai no Brasil.

Pesquisas por reportagens sobre a investigação de Trump contra o parlamentar em outros portais do Brasil e dos Estados Unidos também não retornaram resultados.

As publicações começaram a circular dias depois da divulgação do relatório da Polícia Federal que indiciou Jair e Eduardo Bolsonaro.

No documento, agentes da PF afirmam que o filho do ex-presidente teria atuado para tentar “ludibriar” o governo Trump “para atingir seus objetivos criminosos”.

Em uma das mensagens divulgadas, Eduardo enviou ao celular do pai uma imagem que não pôde ser recuperada pelos investigadores, seguida da frase: “torce para a inteligência americana não levar isso aqui ao conhecimento do Trump”.

Os vídeos que sugerem a investigação de Trump contra Eduardo Bolsonaro afirmam ainda que a apuração poderia resultar em pedidos de revogação do visto do deputado brasileiro e a deportação de Eduardo e Paulo Figueiredo para o Brasil.

Também não há atualmente qualquer indício de que essas medidas estejam em curso.. Eduardo Bolsonaro foi indicado no inquérito que apura suposta coação no curso do processo envolvendo o pai, mas não é alvo de pedido de prisão ou deportação.

Os vídeos verificados pelo Comprova utilizam narração e elementos de inteligência artificial.

De acordo com o Hive Moderation, ferramenta de reconhecimento de IA, possuem 99,9% de chance de terem sido gerados por IA.

Vale lembrar que ferramentas de IA podem falhar na detecção de conteúdos, por isso devem ser usadas como apoio à análise humana.

Um dos vídeos, divulgado no TikTok, traz ainda como elementos de uso de IA imagens de Trump com semblante furioso e um carimbo na mão em frente a um homem com feições semelhantes a Eduardo Bolsonaro e aspecto assustado, de posse de um passaporte.

A imagem é exibida em uma montagem em uma suposta capa do The New York Times.

O Comprova fez contato com os perfis que divulgaram os dois vídeos investigados por meio de mensagens no TikTok, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova

Um dos vídeos investigados foi divulgado por um perfil no YouTube que se apresenta na descrição apenas como canal com “vídeos diários”.

As publicações, no entanto, costumam trazer vídeos feitos com fotos de políticos e narração com auxílio de inteligência artificial.

As postagens reúnem tanto vídeos com tons favoráveis ao presidente Lula e ao PT, como o vídeo que sugere investigação e até suposta deportação de Eduardo Bolsonaro, quanto publicações em linha com o bolsonarismo, com críticas de Trump a decisões do ministro Alexandre de Moraes.

O canal tinha 16 mil inscritos até a publicação desta matéria. Já o outro vídeo investigado tem informações semelhantes e foi divulgado na plataforma TikTok.

A conta que o divulgou se apresenta como “Canal de apoio ao Lula em 2026”. A página tinha 71 mil seguidores até a publicação deste conteúdo.

Por que as pessoas podem ter acreditado

Uma das táticas de persuasão utilizadas no vídeo e que podem fazer com que as pessoas possam ter acreditado é citar como suposta fonte das informações o jornal The New York Times, um dos maiores do mundo e referência em informações sobre política norte-americana.

Isso poderia conferir suposta credibilidade às informações.

Um dos vídeos também faz referência a termos como “explosão na América”, “investigação bombástica” e que “a verdade tem que explodir agora”, apelando ao exagero e a um suposto senso de urgência para que os usuários compartilhem o vídeo sem confirmar as informações.

Fontes que consultamos

Site do The New York Times, ferramenta Hive Moderation, de detecção de IA, e donos dos perfis que publicaram os vídeos investigados.

Por que o Comprova investigou essa publicação

O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento.

Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema

Os vídeos que sugerem investigação de Trump contra Eduardo Bolsonaro também foram alvo de verificações que desmentiram o fato feitas pelo Estadão Verifica, pela agência Aos Fatos e pelo UOL Confere.

O Comprova também já mostrou que Trump não ameaçou enviar tropas contra Alexandre de Moraes e que não há indícios de que o presidente norte-americano tenha tarifado o Brasil por compra de diesel russo.

A checagem foi publicada em 28 de agosto de 2025 pelo Comprova — coalizão formada por 42 veículos de comunicação que verifica conteúdos virais.

A investigação foi conduzida pelo NSC Comunicação, e o conteúdo também passou por verificação de Jornal do Commercio, Folha de S. Paulo e Correio de Carajás.

Saiba como acessar nossos canais do WhatsApp


#im #ll #ss #jornaldocommercio" />

Compartilhe

Tags