Insegurança e uso de drogas na Praça Maciel Pinheiro
Lojistas relatam rotina de furtos e violência no Centro do Recife; governo do Estado destaca queda nos índices e Prefeitura aponta ações sociais
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A Praça Maciel Pinheiro, importante ponto de convergência entre as ruas do Aragão, Imperatriz, do Hospício e Avenida Manoel Borba, no bairro da Boa Vista, área central do Recife, enfrenta um cenário constante de degradação social e insegurança.
O local tornou-se ponto frequente de uso de entorpecentes, com predomínio do uso da cola, gerando apreensão entre pedestres e trabalhadores da área. Apenas uma pessoa quis falar, de forma anônima, com a reportagem do Jornal do Commercio. Outros alegaram medo de retaliações.
Além das drogas, comerciantes relatam episódios frequentes de furtos e conflitos violentos no espaço público, fatores que têm afastado a clientela dos estabelecimentos locais.
"Aqui é uma área de comércio e já houve casos aqui em que transeuntes e clientes das lojas que se encontram aqui na rua do Aragão, tiveram que se acuar dentro dos estabelecimentos, por causa de brigas, apresentação de armas brancas", descreveu um lojista que preferiu não se identificar.
"Antes aqui isso era muito movimentado. Essa praça aqui era muito frequentada e hoje está em uma situação de caos, de abandono. Até psicologicamente é deplorável, a pessoa passa e se sente mal. Eu passo aqui todos os dias, é diferente de uma época que você transitava com aquele ar bacana. Hoje não, hoje é uma coisa muito melancólica, muito deprimente. Eu me sinto mal quando eu vejo crianças, mulheres grávidas inalando cola. Isso é muito triste", afirmou.
Diante do quadro, trabalhadores cobram uma presença policial mais efetiva associada a políticas de assistência social. "São inúmeros casos em que deveria a segurança ser mais presente, de o governo ter um projeto de ressocialização, apesar de ser muito difícil por causa do vício da cola, o pessoal passa 24 horas aí inalando esse entorpecente terrível", acrescentou o lojista.
O que diz o governo
O cenário relatado por comerciantes contrasta diretamente com os indicadores oficiais de criminalidade. A Secretaria de Defesa Social (SDS) informou à reportagem do Jornal do Commercio por meio de nota que os dados de violência estão em retração na Área Integrada de Segurança (AIS) - 1, que abrange a praça.
Segundo o órgão, os Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs) caíram 66,3% entre janeiro e julho deste ano comparados ao mesmo período do ano passado, passando de 3.341 para 1.124 registros. Já as Mortes Violentas Intencionais (MVIs) caíram 59,37% no mesmo comparativo, reduzindo de 32 para 13 ocorrências.
A SDS informou que a Polícia Militar, via 16º BPM, realiza patrulhamento ostensivo diário no bairro da Boa Vista com guarnições a pé, ciclopatrulhas, motopatrulheiros e reforço do Grupamento Tático na madrugada.
Sobre as brigas e furtos, o órgão destacou que a corporação "realiza patrulhamento e ações preventivas diariamente nas praças e demais espaços públicos da área central do Recife, com o objetivo de inibir a prática de ilícitos, prevenir ocorrências e ampliar a segurança da população que reside, trabalha e circula pelos bairros do Centro".
A Polícia Civil informou que participa de reuniões estratégicas para alinhar ações na área e ressaltou a importância do registro de boletins de ocorrência para orientar investigações.
No âmbito municipal, a Prefeitura do Recife informou, também por meio de nota, que realiza intervenções integradas na Praça Maciel Pinheiro articulando assistência social, saúde e segurança cidadã. Por meio do programa Novos Horizontes, a gestão municipal registrou 170 atendimentos no local desde o início do ano, dos quais 72 resultaram em adesões voluntárias a encaminhamentos de saúde, acolhimento institucional e emissão de documentos.
A prefeitura destacou ainda a atuação do Consultório na Rua e do Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS), que oferecem cuidados médicos básicos, refeições e serviços de higienização, lembrando que o acolhimento depende obrigatoriamente da concordância do cidadão.