Pernambuco | Notícia

Maioria das favelas de Pernambuco convive com falta de arborização, bueiros e calçadas, aponta IBGE

Levantamento revela precariedade no estado, que compromete qualidade de vida da população e capacidade de resposta em situações de risco

Por Laís Nascimento Publicado em 05/12/2025 às 12:37 | Atualizado em 05/12/2025 às 12:39

Clique aqui e escute a matéria

Milhares de moradores de favelas e comunidades urbanas de Pernambuco convivem com a falta de urbanização no entorno de suas moradias.

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam a infraestrutura precária dessas regiões, que compromete desde a qualidade de vida da população até a capacidade de resposta do poder público em situações de risco.

Pernambuco é o terceiro estado do país com maior número de favelas e comunidades urbanas, atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Da Região Metropolitana do Recife ao Sertão, o estado concentra 849 destes territórios e 474.809 domicílios.

Cerca de 12% da população reside nestes espaços, o que equivale a mais de um milhão de pernambucanos. Este número é maior do que a quantidade de habitantes da cidade de Maceió, capital do estado de Alagoas, por exemplo.

A cada 10 moradores das favelas pernambucanas, 7 moram em trechos de vias sem árvores. No Recife, apenas 25% das pessoas desses territórios residem em vias com arborização.

O estudo apontou também que mais de 60% das favelas do estado não têm bueiro ou boca de lobo, expondo os moradores ainda mais a alagamentos, enchentes e problemas de saúde.

A falta de investimentos em estrutura urbana é revelada, ainda, pela acessibilidade: em 99% não há via sinalizada para bicicleta no entorno e em 34% não existem vias pavimentadas. Além disso, 6 em cada 10 não têm acesso a calçada ou passeio.

O desafio na mobilidade para os moradores das favelas se estende ao transporte público com índices altos: não existem pontos de ônibus em van em 95% dos domicílios em favelas de Pernambuco.

Para o IBGE, são consideradas favelas e comunidades urbanas os territórios onde há predominância de domicílios com alto grau de insegurança jurídica, ausência ou oferta incompleta de serviços públicos e áreas com restrições à ocupação devido ao risco ambiental.

Sem acesso a políticas habitacionais de investimento urbano no entorno dos domicílios, as populações de favelas pernambucanas veem um padrão antigo repetir.

Dos morros à beira dos rios, morar ainda é um desafio e uma demanda pelo acesso a serviços básicos de infraestrutura, que afetam as populações mais vulnerabilizadas.

Compartilhe

Tags