Mais eficiência, menos corrupção
Seja quem for o novo presidente da República, a ineficiência e a corrupção devem ser combatidas para que o governo atenda às demandas coletivas
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O dia da eleição em segundo turno se aproxima. A menos de duas semanas da decisão do eleitorado, a maioria dos brasileiros irá escolher entre dois candidatos que se antagonizam em vários aspectos. A visão de cada um sobre o tamanho e as funções do Estado é uma das linhas divisórias – muito embora os governos de Lula e Jair Bolsonaro tenham se aproximado, algumas vezes, tanto nos métodos quanto nas medidas tomadas para alimentar o elefante estatal. Em qualquer dos casos, com Lula continuando ou Flávio começando de onde o pai saiu, mesmo sem a formalização de uma reforma da máquina pública, os dois terão oportunidade para aprimorar a estrutura burocrática sobre a qual se assentam programas e ações que objetivam o bem coletivo.
Vencedor do primeiro turno e virtual detentor de maioria no Congresso, com a formação de um Senado e de uma Câmara puxados por votos ao PL e partidos de apoio ao bolsonarismo, Flávio tem disseminado a mensagem de um “tesouraço” nos gastos, sem no entanto especificar onde serão feitos os cortes, e por que. Em paralelo, repete que não irá acabar com programas sociais criados durante as gestões petistas, como o Bolsa Família e o Pé de Meia. Há no discurso a tentativa de se equilibrar numa posição intermediária entre o enxugamento da máquina e a manutenção dos benefícios vistos como conquista por parcela da população.
Por sua vez, um quarto mandato de Lula é projetado, na campanha, como rota de valorização dos servidores, com “retomada do diálogo”, dando a entender que o diálogo foi interrompido ou prejudicado no atual governo. Também se propõe a qualificar melhor o funcionalismo, adotar mecanismos de gestão por desempenho e combater os supersalários, cuja permanência, de fato, reflete e aprofunda a desigualdade crassa no país. Para superar a pecha de estagnação que pode ser associada a um governo que, se tiver continuidade, parte para o 13º ano de mandato, o presidente Lula fala em adotar soluções de inteligência artificial em prol da produtividade.
Seja qual for o caminho a ser trilhado a partir do ano que vem, o ideal é que os dois postulantes tenham em mente a necessidade de um Estado com menos tentáculos, voltado para as tarefas e suportes para quem mais precisa, e nas áreas que de fato demandam a presença estatal para se desenvolver. Diante do quadro fiscal crítico, por exemplo, a redução dos cabides ministeriais – em menor número e despesas restritas – deve ser considerada imperativa não apenas para o governo, mas para o país, em horizonte de arrumação das contas públicas que há de transpor o período do próximo mandato presidencial.
Se um Estado enxuto não pode ser garantia de eficiência e menor suscetibilidade à corrupção, ao menos oferece menos brechas para os corruptos. Com imensos desafios acumulados e a perspectiva de recursos escassos em alto nível de endividamento da máquina pública, o novo governo terá que enfrentar a questão que se apresenta em faces complementares: quanto mais ineficiente, mais corrupta pode ser a máquina estatal, e vice-versa.