Oportunidade das propostas
Retomada da campanha pelo horário eleitoral no rádio e na TV é chance para os candidatos à presidência mostrarem suas propostas para o país
Clique aqui e escute a matéria
Depois de um primeiro turno sem debates e com muitos ataques entre as principais candidaturas, a população brasileira, dividida, espera que a polarização mantida para o segundo turno resulte no esclarecimento dos programas de governo e das propostas para o futuro do país. É hora de menos achincalhe mútuo, e mais compromisso com o eleitorado que irá decidir os destinos coletivos, pela decisão soberana e individual do voto, no exercício da mais nobre e importante ação da democracia. Cabe aos candidatos e suas equipes de comunicação o discernimento acerca da valorização apropriada das próximas duas semanas, para que as informações estejam disponíveis à comparação que deve ser feita, antes do domingo, 25 de outubro.
O senador Flávio Bolsonaro, que larga na frente com a votação no primeiro turno, e o presidente Lula, que busca a reeleição, terão duas semanas de campanha equilibrada, com o mesmo tempo de rádio e televisão para expor suas ideias e planos para os próximos quatro anos. Além da disputa presidencial, os estados do Acre, do Amazonas, do Espírito Santo, do Rio Grande do Norte e de Tocantins, mais o Distrito Federal, irão realizar segundo turno. Na maioria em que a eleição foi resolvida, como em Pernambuco, as atenções do eleitorado se voltam à escolha do presidente. E o nível da campanha será um fator fundamental para tirar os eleitores de casa, nesses estados, já que irão votar apenas para a cadeira presidencial. A abstenção acima de 20% tem sido posta como desafios para Lula, que precisa virar, mas também para Flávio Bolsonaro, que espera consolidar a vantagem exibida no primeiro turno.
A propaganda nas ruas e na internet passa a valer igualmente a partir desta sexta. Resta saber se as campanhas irão abrir mão de pelo menos uma parte dos apelos emocionais – em geral, explorando o ódio e o medo – e apresentar claramente o que os candidatos pretendem fazer, caso sejam eleitos. Os debates devem acontecer, mesmo em número reduzido, ampliando as oportunidades de confronto das propostas de cada um. Em um cenário apertado nas intenções de votos, os debates podem servir como palcos cruciais de decisão, sobretudo para os indecisos e os que não votaram em nenhum dos dois na primeira rodada.
A brevidade da campanha não retira sua relevância. Ainda mais quando se leva em conta os apoios de partidos, lideranças políticas e personalidades, a um ou outro. Mesmo que nenhum apoio, em si, seja forçosamente traduzido em votos, a configuração política resultante tende a gerar fronteiras de atração ou afastamento para o eleitorado. Vale recordar que os dois, Flávio e Lula, chegam à disputa final de 2026 com grande índice de rejeição, cada qual com a missão de tentar se desvincular do voto contra si, atraindo a escolha dos brasileiros de maneira positiva, e não, negativa.
A consciência do voto pelo eleitorado pede consciência da exposição de propostas e visões de mundo pelos candidatos finalistas. A democracia que se fundamenta na construção do bem-estar coletivo é valorizada, em uma campanha limpa, sem maniqueísmos, que favoreça à escolha livre dos cidadãos.