Tradição e futuro se alinham
Dia do Nordestino em 8 de outubro reforça laços históricos da população nordestina, e reflete pujança econômica em ascensão na região
Clique aqui e escute a matéria
Criada em 2009 no município de São Paulo, a data de 8 de outubro como Dia do Nordestino faz homenagem ao poeta Patativa do Assaré, e se presta à exaltação da cultura da região e à diversidade de um povo que também se destaca por sua identidade própria, regional, em todo o Brasil. Tanto que a iniciativa da capital paulista logo se estendeu a celebrações em diversas partes do país, incorporando-se à agenda nacional. O que leva a marca da nordestinidade se apresenta com a distinção da afetividade relacionada a elementos típicos – da comida à música, do clima ao artesanato – e encanta os brasileiros de outros recantos. Além de servir como símbolo atrativo e agregador para os filhos e as filhas do Nordeste que vivem fora.
Para além da valorização cultural e do resgate da identidade coletiva, o mote no calendário deve ligar os pontos entre os saberes e fazeres tradicionais, que ecoam num modo de vida com firme enraizamento, e os potenciais aproveitados para o desenvolvimento coletivo. Onde a tradição e o futuro se alinham, e as gerações se irmanam nos mesmos propósitos, a região se orgulha do que é transmitido do passado ao presente, e se prepara melhor para as conquistas necessárias que tem pela frente. Pois os nordestinos também sabem e lembram do sofrimento de tanta gente, antes e agora, à espera da travessia que suplante as desigualdades e distribua qualidade de vida comparável àquela já experimentada em outras regiões.
O alcance desse destino não se dará aos saltos, mas no passo ligeiro e decidido dos que sabe aonde vão. Caminhos abertos conduzem o Nordeste que é sinônimo de inovação, como no Porto Digital pernambucano, que não cessa de enviar essa mensagem ao mundo, há anos. No cardápio da tradição, os sentidos ativados na degustação, no desfrute de belas paisagens, no calor humano compartilhado nas capitais ou no interior, os potenciais turísticos são cada vez mais vistos em sua dimensão de transformação econômica e social. Sem abdicar da sustentabilidade, tanto para se adequar a uma época de crise ambiental e climática, quanto manter a previsibilidade do planejamento de longo prazo que beneficia a população local, os visitantes e os empreendedores.
E o turismo é apenas uma das rotas possíveis. Com investimentos de porte na energia limpa, como a solar e a eólica, em novas fronteiras agrícolas, e na oferta de serviços demandados em zonas urbanas em expansão nas regiões metropolitanas e nos polos interioranos, o Nordeste requer aceleração do passo – e mais conexão. A infraestrutura de transportes rodoviários e aéreos é fundamental para que os nordestinos compartilhem cada vez mais destinos turísticos com o destino da nordestinidade. Mais e melhores conexões nos estados e entre os estados, cidades interligadas em polos culturais e econômicos através das fronteiras, podem significar a indução de um ciclo de desenvolvimento regional de grande intensidade e longo alcance.
São reflexões no Dia do Nordestino que podem ser trocadas pela população e pelos gestores estaduais que iniciam ou reiniciam governos, a partir do ano que vem. Quanto mais cedo estivermos todos juntos nessa travessia, melhor para o Nordeste.