Representatividade feminina
Mais mulheres foram eleitas para o Congresso Nacional este ano, porém o desequilíbrio em relação às cadeiras ocupadas por homens continua alto
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Em 2027, a quantidade de mulheres que tomarão posse na Câmara dos Deputados e no Senado será a maior da nossa história. Ainda é pouco, mas é um inegável avanço. O balanço das eleições de 2026 traz esse importante recado das urnas: mesmo com menos candidatas, o número de deputadas federais eleitas foi maior do que em 2022, subindo de 90 para 109, chegando a 21% dos 513 integrantes da Câmara. No Senado, das 54 vagas em disputa, equivalentes a dois terços da casa, 12 mulheres foram eleitas – em 2018, quando estavam em disputa os mesmos dois terços, apenas 8 foram eleitas. Com as 12 que chegam, o Brasil passa a ter 18 senadoras de 81 representantes no Senado, ou seja, 22% do total.
Pouco mais de 20% nas duas casas do Congresso ainda é insuficiente, num país em que o eleitorado possui maioria feminina, de 52%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Em situações opostas de representatividade estão o Distrito Federal e o Piauí: enquanto o DF agora conta com as três mulheres no Senado, o estado nordestino jamais elegeu nenhuma senadora. Em Pernambuco, serão duas senadoras, na unidade da federação que apresenta duas mulheres na chefia do Executivo, como governadora e vice-governadora. A distribuição no país é desigual, e requer mais investimento dos partidos, bem como o exemplo das eleitas, para ampliar a participação na política e repartir com mais equidade com os homens o trabalho de decidir os rumos coletivos.
Outra questão apontada pelas próprias mulheres é a falta de engajamento de algumas eleitas às pautas de igualdade de gênero, o que significaria ir na contramão da mudança que se deseja vislumbrar com mais mulheres nos parlamentos ou nos governos – e também na Justiça: basta ver a composição atual do Supremo Tribunal Federal, com apenas uma mulher e nove homens. Mas é preciso compreender a diversidade das representantes, por exemplo, que chegam ao Congresso a partir do ano que vem, levadas por uma onda político não de todo associada à agenda das conquistas de gênero. Mesmo assim, é relevante a elevação da bancada feminina, podendo influenciar de maneira diferenciada em todas as pautas que estiverem em discussão no parlamento.
Vale registrar que a fração de mulheres negras que foram eleitas deputadas federais também aumentou, passando a 15, em comparação com nove em 2022. Outro marco importante que precisa ser estimulado. “A imensa maioria dessas mulheres negras que estão hoje na Câmara e que se elegeram para a próxima legislatura são mulheres jovens. Então, a gente vê uma renovação feminina e negra e acho que a gente pode ter boas expectativas em relação à atuação dessas lideranças que conseguiram chegar agora”, celebra Tainah Pereira, coordenadora do Mulheres Negras Decidem, para matéria da Agência Brasil publicada no JC.
No Senado, o quadro é mais complicado. Foram somente quatro mulheres negras que chegaram a ser senadoras, em toda a história – e nenhuma este ano. No entanto, a ampliação verificada no Congresso é animadora para que os parlamentos estaduais e municipais ganhem mais mulheres em sua composição, nos próximos anos.