Editorial JC: Desafios da continuidade
Segundo mandato de Raquel Lyra e Priscila Krause renova prioridades do primeiro governo, ampliando o planejamento e a previsão de investimentos
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A consagração do trabalho acumulado em quatro anos veio com uma vitória no primeiro turno, de margem superior ao que apontavam as pesquisas de intenção de voto. Ao se encaminharem para a conclusão do mandato focando em sua continuidade por mais quatro, a governadora Raquel Lyra e a vice, Priscila Krause, foram consideradas pela maioria do eleitorado pernambucano como detentoras das condições necessárias para prosseguirem encarando e enfrentando os desafios da gestão estadual. Que, ambas sabem, não são poucos, nem simples. Um dos estados onde a desigualdade impera, em uma nação desigual, com questões históricas para serem resolvidas na segurança, na mobilidade, no transporte público, na saúde e na educação – para ficar nessas áreas – Pernambuco demanda muito trabalho para voltar a figurar com destaque no cenário de desenvolvimento do Nordeste.
Menos de 24 horas após o resultado da reeleição, a governadora Raquel Lyra concedeu entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal. Com as ações em andamento na ponta da língua, indicou que pretende acelerar investimentos em prioridades como a infraestrutura, o desenvolvimento da economia, a segurança pública, além de saúde e educação. De ânimo renovado pelas urnas, a governadora prometeu mais 3 mil quilômetros de estradas, a contratação de 10 mil profissionais para a segurança, ampliação de investimentos na Região Metropolitana, descentralização da saúde com mais atendimento no interior, e estímulos ao pequeno empreendedor.
Para a governadora que ganha nova posse em janeiro, as estradas significam competitividade da economia, em especial nas regiões de produção agrícola e industrial. Na segurança, diz que haverá novas delegacias, batalhões e complexos de Polícia Científica, com efetivo reforçado. Em saúde, destacou a implantação de prontuário eletrônico único, e a integração entre a atenção básica dos municípios e os serviços especializados mantidos pelo Estado. Para a mobilidade, falou sobre a ampliação das linhas de ônibus na Região Metropolitana, oferecendo o apoio do governo estadual para qualificar os planos diretores municipais. Reduzir o déficit habitacional, deslocando os moradores das palafitas para locais apropriados, e a aplicação de R$ 2 bilhões em obras de encostas nos morros também foram objetivos mencionados para o segundo governo.
A fim de melhorar o ambiente de negócios e gerar empregos, a governadora confirmou que vai apoiar os pequenos empreendedores, demanda repetida durante a campanha. A atração de empresas fornecedoras de equipamentos e insumos, bem como o estímulo ao empreendedorismo ligado ao Porto de Suape, que não deve ser lugar de passagem, mas de destino, em sua visão. A ênfase no planejamento de médio e longo prazos também chamou a atenção na entrevista.
A expectativa do governo Raquel II também se volta para as relações do Palácio do Campo das Princesas com a Assembleia Legislativa, que gerou dificuldades e restrições para a gestão inicial. Com um terço de renovação dos deputados e deputadas estaduais, e a experiência acumulada no trato de parte a parte, a população espera que haja menos problemas e mais consensos em torno do interesse coletivo. Afinal, o capital político de Raquel Lyra cresce, a partir da vitória no primeiro turno, que passa clara mensagem de aprovação do eleitorado – mensagem que os parlamentares não poderão ignorar.