Respostas e lições das urnas
População brasileira comparece em massa às seções eleitorais, expressando a vontade coletiva em clima de cordialidade - e dá guinada à direita
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Uma nação mais alinhada à direita, com reflexões obrigatórias para o PT e a esquerda. E os pernambucanos aprovando com folga a reeleição de Raquel Lyra, em reconhecimento ao processo de mudança, às entregas feitas e aos projetos em andamento. O primeiro turno das eleições de 2026 deixa mensagens claras do eleitorado para a política e as instituições nacionais.
Prática fundamental do processo democrático, o dia eleitoral transcorreu sem turbulências em todo o Brasil. E os resultados confirmaram a maturidade do sistema de votação, em um país de vastas proporções onde a disposição cívica se encontra com o preparo institucional. Pois a organização da justiça eleitoral e a participação de diversos órgãos de apoio viabilizam a operação das eleições e sua apuração rápida e segura. O comparecimento é um exemplo de nossa democracia para o mundo inteiro.
Eis a primeira resposta das urnas, ainda antes do conhecimento do teor dos votos: o brasileiro não se descuida do processo democrático, valorizando o direito universal conquistado como pressuposto da cidadania – e salvaguarda das instituições, sobretudo em um momento de crise. Brasileiras e brasileiros gostam de votar, têm orgulho da democracia e a utilizam para passar mensagens e indicar mudanças aos representantes eleitos e não eleitos, em relação ao que se espera do poder exercido em nome da vontade coletiva.
Com as apurações realizadas, outras respostas surgiram. Entre as quais, o adiamento de decisões para um segundo turno de votações, levando as duas candidaturas selecionadas para aprofundar o debate, exporem suas ideias e aceitarem o confronto direto com o adversário. Os números do primeiro turno e da nova composição do Congresso, especialmente no Senado, já alteram a medição de forças entre os Três Poderes, com o parlamento mais à direita, em verdadeira avalanche de votos de coloração bolsonarista – com o filho de Jair Bolsonaro, Flávio, no segundo turno contra Lula, e a esposa, Michele, eleita senadora pelo Distrito Federal. A derrota parcial de Lula no primeiro turno, e o baixo desempenho da esquerda e da centro-esquerda nas demais votações, impõem autocríticas que independem do desfecho do segundo turno.
Em Pernambuco, o eleitorado manteve, como no resto do Nordeste, a tradição de ampla maioria para Lula, elegendo os dois senadores associados ao presidente candidato à reeleição. Mas eleitoras e eleitores diferenciaram o pleito nacional do estadual, ao contrário do que tentou a campanha do ex-prefeito do Recife, João Campos. A vitória de Raquel Lyra e Priscila Krause, dupla feminina preservada na candidatura à renovação do mandato, é ainda mais expressiva por sua inserção no contexto da política federal. A resposta dos pernambucanos para Raquel e Priscila, que sequer necessitou de segundo turno, foi: continuem trabalhando, persistam na condução dos destinos do estado, acreditamos em vocês.
A definição em primeiro turno clareia o horizonte de planejamento para Pernambuco, enquanto, no plano nacional, o futuro fica em suspenso por mais três semanas, até o segundo turno presidencial, no próximo dia 25. A democracia, mais uma vez, sai fortalecida e distribui, a eleitos e não eleitos, suas lições.