A necessidade do voto
Compreendida como ápice da expressão da democracia, uma eleição reserva à população o direito de votar com esperança e responsabilidade
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O país chega ao primeiro turno das eleições de 2026 com o amargor de uma campanha longe da ideal, sem nenhum debate para a presidência da República, e a tensão dominante de uma crise institucional rondando os Três Poderes, especialmente o Judiciário, na corrosão da confiança da população no Supremo Tribunal Federal (STF). As batalhas jurídicas se transformaram em cabo-de-guerra político na cúpula da justiça brasileira, na reta final da campanha, nivelando por baixo as candidaturas e mantendo a indecisão em muitos eleitores.
Mas o processo democrático também se faz na superação de obstáculos, não raro servindo como ato divisor de indefinições. A voz das urnas, soberana e coletiva, deixa lições caras aos líderes políticos, aos dirigentes partidários e às instituições. Mesmo que a decisão nunca seja definitiva – o que os candidatos fazem questão de esquecer, como se de quatro em quatro anos não precisassem submeter o destino coletivo ao seu dono, a coletividade – o valor do voto é precioso. Seu exercício é necessário, inclusive quando a mudança efetuada pelas urnas é desfeita numa eleição seguinte. O direito de votar com esperança e responsabilidade é parte indissociável da democracia, da qual uma eleição significa o ápice da expressão cidadã. Eleitoras e eleitores de todas as idades, sem distinção nem diferença de relevância, deixam de habitar o poço das desigualdades em nosso país, podem fazer mais com seus votos do que os representantes eleitos, durante o mandato inteiro.
E as escolhas do eleitorado neste domingo abrangem a ocupação de assentos na Câmara dos Deputados, em dois terços do Senado, e nas assembleias legislativas dos estados. Com crescente relevância na determinação e aplicação dos orçamentos públicos, os integrantes do Legislativo ganham peso e protagonismo na República. Um protagonismo que não se restringe aos gastos, mas podem cumprir papel institucional decisivo em relação aos demais poderes, votando pedidos de impeachment. Isso faz com que o eleitorado reserve atenção dobrada ao preenchimento das cédulas eletrônicas.
Enquanto expressão máxima da democracia, o voto é a linguagem da liberdade e da legitimidade. É a fala democrática, em contraponto ao silêncio do arbítrio e dos regimes totalitários, que extinguem a justiça, tentam calar os opositores e tutelar a comunicação, reprimindo o jornalismo e a imprensa. Mesmo o voto em branco ou nulo exprime a vontade do indivíduo, que se traduz em escolha coletiva, voltada ao poder regido pela Constituição e demais leis que organizam a vida nacional. E a legitimidade é garantida pelas instituições na organização e realização de eleições regulares e limpas, seguras e transparentes, como as eleições brasileiras fiadas na votação e apuração feitas com tecnologia aprimorada continuamente.
A cobertura das eleições pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, em todos os veículos, configura exemplo da responsabilidade jornalística no processo democrático, transmitindo em tempo real os fatos e análises, a partir da manifestação do eleitorado, até as repercussões dos resultados, esperados para algumas horas após o fechamento das urnas.
Bom voto às cidadãs e cidadãos de Pernambuco e de todo o Brasil!