Editorial | Notícia

Debate da Globo cancelado e democracia sub judice

Interferências que alteraram, de última hora, regras acordadas por todos os candidatos representam ameaça à liberdade de imprensa e à ordem política

Por JC Publicado em 01/10/2026 às 22:40 | Atualizado em 01/10/2026 às 23:26

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O cancelamento de um debate com candidatos à presidência da República não pode ser visto como algo da normalidade institucional, quando se dá em razão de decisões judiciais do TSE e do STF, algumas a poucas horas de sua realização. Mais uma vez, infelizmente, o poder Judiciário brasileiro dá mostras de que vem funcionando em tom de politização crescente – o que é ruim para a Justiça, para a política e, sobretudo, para a democracia.

Ao avançar sobre regras discutidas e acordadas com representantes das candidaturas, e contradizer a própria legislação eleitoral estabelecida, as ordens judiciais atacaram a liberdade de imprensa, afrontando o direito de expressão dos candidatos confirmados, desorganizando a estabilidade das regras previamente aceitas por todos, e impedindo a população de acompanhar um importante debate, mesmo desfalcado de um dos principais concorrentes, o presidente Lula, que avisou com antecedência de pouco mais de 24 horas que não estaria presente.

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O Sistema Jornal do Commercio de Comunicação se solidariza com a Rede Globo, diante da ingerência descabida sobre o planejamento e produção de um debate, o que demanda trabalho, dedicação e tempo de vários profissionais, em contato com as assessorias dos candidatos, em favor do interesse público.

"A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil. Oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia. Mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais".

Em nota oficial, entidades representativas da imprensa no país exclamaram preocupação com a instabilidade que levou ao cancelamento do debate. Para a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ), houve intervenção judicial nas regras previamente definidas, e uma agressão à liberdade de imprensa. Segundo a nota conjunta, “os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate”.

A preocupação vai além do âmbito jornalístico, embora já seja grave tal interferência às vésperas do primeiro turno das eleições. A guerra política em curso nos tribunais superiores assume a forma assustadora de campanha eleitoral num ambiente que deveria ser apartado da disputa partidária. Assim, além de promover a censura, o Judiciário produz desordem política, impondo barreiras e mudando regras naquilo que seria um serviço à sociedade: a oportunidade do debate para informar e apoiar a escolha do eleitorado para a presidência da República.

Lamentável registrar que os brasileiros se dirigem às urnas, no próximo domingo, em um clima de democracia sub judice, na tensão da escalada de decisões judiciais que voltem a interferir no processo democrático, e venham aprofundar ainda mais a crise institucional que frustrou o debate, calando perguntas, respostas, dúvidas e esclarecimentos.

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