Editorial JC: Para ampliar a imunização
Crianças e adolescentes de até 15 anos de idade são o foco da campanha concentrada neste sábado, para proteção contra mais de 20 doenças
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A exemplo de outros países, em tendência que já vinha antes da pandemia e se agravou depois da Covid, o Brasil enfrenta o risco de doenças evitáveis por meio da vacinação. A imunização contra muitas delas segue aquém do ideal de cobertura para a formação da chamada imunização de rebanho, e o abandono das doses de reforço após a primeira dose continua sendo um desafio para as autoridades de saúde.
Por isso, as campanhas de multivacinação ganham importância evidente, estimulando a conscientização dos pais e responsáveis, e gerando nas crianças e adolescentes o hábito que deve ser transmitido às próximas gerações, para que a imunidade coletiva não seja afetada por novos boicotes maciços.
Neste sábado, 22, acontece em todo o território brasileiro o Dia D da multivacinação, ápice da campanha aberta no início de agosto, e que vai até 1º de setembro. Os postos de saúde e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos municípios estarão funcionando para aplicar substâncias imunizantes para cerca de duas dezenas de enfermidades, entre as quais o sarampo, que voltou a aparecer com a queda na imunização.
Também fazem parte do esforço concentrado vacinas contra hepatite, poliomielite, febre amarela, dengue, Covid, gripe e pneumocócica, entre outras. Trata-se de iniciativa indispensável à recuperação da rotina de vacinação entre os brasileiros, a fim de elevar o grau de proteção e, assim, prevenir também contra o aumento de custos no atendimento de saúde, quando as doenças rompem a barreira da imunidade e se propagam com facilidade.
A mobilização visa sobretudo a atualização da caderneta de vacinação no grupo formado por crianças e adolescentes de até 15 anos de idade, que precisa estar protegido desde a infância para garantir boa defesa diante dessas doenças. Para se ter uma ideia do problema, em 2024 eram 255 mil crianças sem qualquer dose de vacina no Brasil – número que caiu para 50 mil em 2025, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e em resposta à retomada de ações prioritárias no Programa Nacional de Imunizações. Apesar disso, a infraestrutura é precarizada em milhares de municípios, onde faltam vacinas nos postos que deveriam contar com as substâncias para cumprir o papel preventivo.
A ampliação da imunização no Brasil é um trabalho contínuo que não pode prosseguir sendo alvo de dúvidas atiçadas por mentiras construídas pelo negacionismo que demoniza as vacinas, e é propagado pelas redes sociais, confundindo a população ao retirar credibilidade da ciência. Maus exemplos que vêm de fora do país, onde o negacionismo floresce e leva a consequências desastrosas para a população que adere ao boicote às vacinas como se isso fosse exercício de liberdade, não deveriam ser levados a sério pelos cidadãos brasileiros.
Negar a vacinação é abdicar do direito individual que cria defesas coletivas eficazes e duradouras à saúde de todos. A multivacinação é necessária, e não apenas para as crianças – os adultos, especialmente os idosos, precisam igualmente se proteger, para viver mais e melhor.