Estatais endividadas
Rombo bilionário nas estatais federais no primeiro semestre foi maior do que o déficit de todo o ano passado, de acordo com o Banco Central
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O resultado financeiro negativo das estatais vinculadas ao governo federal já é algo esperado na gestão do presidente Lula. Em 2025, o déficit somado das estatais federais superou R$ 5 bilhões ao final do ano. Como também não é surpresa, pouco foi feito para reverter os endividamentos, enxugar custos e buscar fontes de receitas para equilibrar as contas nessas empresas. A consequência lógica é não apenas a manutenção do déficit, mas o seu aprofundamento: no primeiro semestre deste ano, o rombo acumulado é de R$ 7,8 bilhões, mais que 50% a mais do que no ano passado inteiro. Em comparação com o período de janeiro a junho de 2025, o rombo dobrou o tamanho, tendo sido, há um ano, de R$ 3,9 bilhões. A conta, é claro, não é paga pelo governo, mas por todos os brasileiros.
Com a tradição das despesas em descontrole, sem receitas para bancar a conta, o setor público federal dá mau exemplo para o mercado e a população. Mas a continuidade da desordem nas contas não exime o setor público de responder pelas dívidas estratosféricas adiante – mesmo que sejam outros governantes, sendo a mesma a fonte do cofre sem fundos, os cidadãos que financiam os gastos sem desconfiar que também são devedores. Não por acaso, estudos sobre o endividamento do setor público no Brasil sinalizam para a inviabilização de várias políticas públicas a partir do ano que vem, e até para o estrangulamento das contas, conduzindo a impactos como a incapacidade de honrar compromissos básicos como o salário do funcionalismo, nos próximos anos.
A Petrobras e a Eletrobras não estão na lista do desempenho, divulgada pelo Banco Central. Restam empresas de nítida fragilidade financeira, que vêm há muito tempo dando provas de má gestão e ineficiência. Como os Correios, que fechou 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, apesar de um empréstimo de R$ 12 bilhões efetuado com a garantia da União, ou seja, do dinheiro do povo brasileiro. Fazia parte do acordo para o empréstimo bilionário uma reestruturação administrativa e financeira que foi parcialmente abandonada este ano, devido à ameaça de greve pelos funcionários. A exigência foi ignorada, o montante foi utilizado, e tudo fica por isso mesmo.
Além da questão contábil e da irresponsabilidade fiscal, o mau exemplo dado pelo governo federal se espalha pela gestão pública, uma vez que estados e municípios podem, ao espiar o comportamento do Planalto, enxergar no descompromisso com o equilíbrio das contas um fato natural da administração estatal no Brasil. O que não favorece a coletividade, mas apenas grupos no poder que costumam fazer de conta que não respondem pelos prejuízos coletivos. E quando vem de cima, o mau exemplo pode ser naturalizado por governos de qualquer partido e espectro ideológico, sem distinção. Basta olhar o Congresso, onde poucos se preocupam, de fato, com esse tipo de questão.
Sem medidas preventivas que regulem e punam os maus gestores que se transformam em maus gastadores, as contas públicas no Brasil seguem indo para o ralo da insolvência – até que a nação pague pela insensatez acumulada, com o sacrifício de todos, como de costume.