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Editorial JC: Ventania assusta o Brasil

Fenômeno climático com ventos de mais de 100 km/h no Sudeste deixou alerta para a prevenção a efeitos de desastres naturais nas cidades

Por JC Publicado em 31/07/2026 às 0:00 | Atualizado em 31/07/2026 às 6:38

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Telhados voando, cobertas de postos de gasolina despencando, árvores levantando do solo e pendendo nas ruas e calçadas, muros desabando, ondas agitadas ameaçando os barcos – e o pânico de quem foi pego de surpresa por um fenômeno intenso da natureza. Boa parte da população do Sudeste experimentou horas de ansiedade, poucos dias atrás, graças ao encontro de massas de ar quente e fria que formou rajadas em um vendaval incomum, pela violência registrada.

A expectativa em torno das consequências do El Niño, esperado para este segundo semestre, faz com que as cenas nos litorais carioca e paulista, e também na maior cidade do país, São Paulo, ganhem dimensão de prelúdio do que pode estar por vir nos próximos meses, a partir sobretudo de setembro, segundo os cientistas. Mesmo que o choque de massas de ar produzindo ventos com velocidade acima de 100 quilômetros por hora ainda não tenha resultado do aumento da temperatura das águas do Oceano Pacífico, que causa o El Niño, é difícil não conjecturar sobre os problemas que os fenômenos climáticos extremos podem ser capazes de gerar nas cidades brasileiras, despreparadas para temporais, ondas de calor – e ventanias.

E os problemas começam pela vulnerabilidade na rede de medição do clima. O Brasil possui pelo menos metade dos aparelhos que seriam necessários para colher dados seguros para dar alertas precisos a respeito da força de fenômenos, com a antecedência ideal para a proteção da população – inclusive a fuga dos locais de risco. Mas talvez não haja tempo de investir na estruturação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) antes da ocorrência dos fenômenos turbinados pelo El Niño ainda este ano. E fica o registro de um planejamento mal executado, nos últimos anos, já que os avisos de meteorologistas e de outros estudiosos do clima têm sido feitos com frequência, sobretudo após desastres naturais – especialmente as chuvas – em diferentes partes do território nacional.

Os prejuízos, transtornos e mortes nas duas maiores cidades do Brasil, nesta semana, evidenciam o cuidado que todos os municípios devem ter em relação à crise climática. Os comitês de gerenciamento da crise precisam atuar o ano inteiro, de modo a obter o mínimo de êxito na previsão e nas providências com o objetivo de manter as populações seguras. Os serviços de informação prévia demandam ser aprimorados, bem como as medidas alternativas de convivência com os fenômenos extremos, para quando aconteçam. Para que a surpresa seja a intensidade, e não, os estragos que certamente há de se verificar.

Além das chuvas e dos ventos, a estiagem prolongada, a falta de umidade e as ondas de calor também podem causar grandes prejuízos, afetando a vida das pessoas nos meios urbano e rural. Como se vê atualmente na Europa, e já se viu há poucos meses nos Estados Unidos e no Canadá, incêndios florestais e altas temperaturas ameaçam fazer parte de um novo normal do clima no planeta, cujos impactos na biosfera e nas configurações que sustentam a vida ainda estão longe de ser desvendados.

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