Editorial JC: 158 milhões de decisões
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o eleitorado brasileiro é composto por 158 milhões de pessoas, que irão definir o rumo do país em 2026
Clique aqui e escute a matéria
Se o acúmulo de erros e acertos desde a redemocratização não nos estimula a glorificar o ato individual do voto, não podemos fazer dos problemas próprios de qualquer democracia motivos para sua negação. Pelo contrário. O momento do voto continua sendo pertinente, indispensável, soberano e decisivo para os anseios da cidadania e a vitalidade do processo democrático. E não apenas porque cada vota conta, na soma de vontades pessoais que produz uma vontade coletiva. Mas também porque cada intenção singular expressa e reflete uma nação plural, cuja diversidade se mostra, entre outras maneiras, através das escolhas digitadas nas cabines de votação.
Dos 158,7 milhões de brasileiras e brasileiros aptos a votar em 2026, a parcela com 60 anos ou mais é formada por 37,5 milhões, em aumento de 2,6% em relação à eleição passada. É quase um quarto do total, enquanto os jovens de 21 a 34 anos tiveram queda de quase 44 milhões para 41 milhões, representando pouco mais de um quarto do eleitorado. Outro aspecto é que a quantidade de eleitores de 16 e 17 anos, desobrigados a votar mas que se registraram para votar, despencou 22% nos últimos quatro anos, sendo agora 1,6 milhão de adolescentes. O voto está se tornando mais maduro no Brasil, do ponto de vista demográfico, acompanhando o envelhecimento populacional. Os dados foram divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Desde 2022, o país ganhou 2,3 milhões de novos eleitores, com avanço da idade em destaque, de acordo com o TSE. Este ano, as escolhas do eleitorado serão feitas para presidência da República, governos estaduais e parlamentares, sendo dois senadores para cada unidade da federação, além dos deputados para o Congresso e as assembleias. Os dois turnos previstos serão em 4 e 25 de outubro – para os casos em que o segundo turno for necessário para os cargos majoritários, ou seja, presidente e governadores. Há muito o que considerar em cada decisão a ser tomada, na avaliação da gestão pública que pretende se renovar estendendo o mandato, e no exame de alternativas oferecidas pelos partidos, com o objetivo de mudar o que se vê no cotidiano ou aprofundar e ampliar o que vem sendo realizado, seja pelos governos, seja pelos parlamentos.
Na contagem das regiões, o Sudeste possui 66,3 milhões de eleitores, dos quais 34 milhões no estado de São Paulo. Na região Nordeste, são 43,5 milhões de eleitores, no Sul, 22,9 milhões, na região Norte, 12,6 milhões, e no Centro-Oeste, 12 milhões. Em relação ao gênero, quase 53% do eleitorado brasileira são mulheres, responsáveis por quase 84 milhões de votos. As decisões femininas, portanto, continuam tendo relevante peso na consolidação da vontade coletiva – o que ainda não se traduziu, nas eleições recentes, em mulheres votando em mulheres, a fim de elevar a representatividade ou conquistar maior espaço para o exercício do poder.
O balanço do TSE sobre o eleitorado, na mesma semana de abertura das convenções partidárias, aquece o clima eleitoral que demanda atenção da população, e a mesma responsabilidade com a democracia que se espera das candidaturas que vierem a ser aprovadas nas urnas.