El Niño: efeitos no agro
Diversas culturas podem ter o plantio atrasado e safras comprometidas este ano pelo fenômeno climático, que também ameaça a pecuária
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Se as ondas de calor e as tempestades são esperadas, nos próximos meses, como manifestações do fenômeno El Niño afetando as zonas urbanas, a diminuição das chuvas e o aumento e intensificação de períodos de estiagem preocupam o agronegócio brasileiro. Num país com o tamanho do nosso e uma produção diversa no campo, as consequências do fenômeno climático que altera chuvas e temperaturas em decorrência do aquecimento do Oceano Pacífico, serão diferentes nas regiões e nos estados, de acordo com os analistas.
De acordo com estudo do Itaú BBA e da Embrapa, a soja, o milho e o algodão devem ser mais impactados no Nordeste e no norte do Centro-Oeste. O café, a cana-de-açúcar e a laranja, além da soja e do milho, na região Sudeste. O cacau, a mandioca, o açaí e também a soja, na região Norte. E o trigo, o arroz irrigado e o tabaco, na região Sul. Caso as repercussões venham a ser, de fato, severas, em consonância à expectativa de um El Niño mais forte entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro semestre de 2027, a inflação sobre esses alimentos tende a ser mais alta, sobrando para os consumidores, que podem sofrer ainda com a escassez dos produtos. Para Francisco Queiroz, da consultoria Agro do Itaú BBA, “se houver problemas de produção, haverá um aperto na oferta, o que deve levar à alta dos preços, principalmente dos grãos", afirmou para o jornal Folha de S. Paulo.
Os riscos mais altos, segundo o relatório, estão nos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, onde a seca severa pode se instalar, e no Sul, que pode ver novas inundações. Em largas partes do Nordeste, a atenção que se volta à atmosfera tem tudo para ser ansiosa, pois "qualquer atraso nas chuvas pode comprometer a janela de plantio. Há muita preocupação com esse efeito dominó", diz Danyella Bonfim, assessora técnica da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária. Os pecuaristas, por sua vez, lançam o foco para a qualidade das pastagens, que mudariam com a irregularidade das chuvas. Uma vez que as lavouras sejam comprometidas, os custos de ração para o gado aumentam, levando a maiores preços para os consumidores de carne.
Os alertas que vêm sendo repetidos acerca da intensidade do El Niño em 2026 trazem para o setor do agronegócio elementos adicionais que podem se transformar em fontes de problemas, mas a questão climática acompanha os investimentos desde sempre. No entanto, o salto preocupante nas mudanças climáticas, ano a ano provocando efeitos maiores na biosfera e na configuração atual das condições da vida no planeta, incluindo os regimes de chuvas e a habitabilidade de alguns lugares, faz com que o agro se torne um dos eixos de preocupação para a economia nacional, e para a população. Cabe aos governos buscarem as melhores soluções e alternativas de convivência com as mudanças, porque o novo normal do clima tem tudo para ser desafiante, daqui por diante.