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Editorial JC: Contra a violência machista

Data simbólica anual para renovação das conquistas pelo fim da desigualdade de gênero também é momento de união contra o feminicídio

Por JC Publicado em 08/03/2026 às 0:00 | Atualizado em 08/03/2026 às 7:49

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A sequência de casos noticiados de feminicídios e estupros, nos últimos meses, dão uma mostra do quanto as mulheres continuam sendo alvos de violência machista no Brasil.

A disparidade na representação política, por sua vez, torna a mobilização mais difícil, apesar de avanços observados nas últimas décadas.

Sobram discursos, mas os exemplos concretos escasseiam, sobretudo quando os governos sucumbem ao jogo da ocupação de poder demandado por agremiações partidárias lideradas e preenchidas, em sua maioria, por homens – e em muitos casos, por homens machistas, ou insensíveis às pautas feministas e de redução da desigualdade de gênero.

As brasileiras conquistaram o direito a votar há menos de um século, em 1932. De lá para cá, a cultura política ainda não transformou o direito em representatividade igualitária, mesmo sendo a maioria da população.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pouco mais de um terço das candidaturas em 2022 eram de postulantes mulheres. Somente um pouco mais da metade delas se elegeu, sendo 18% de mulheres o percentual dos eleitos.

Mulheres ainda não votam em mulheres, na proporção que garanta melhor proporcionalidade representativa nas casas parlamentares. Nos cargos para o Executivo, a situação é ainda mais dramática no país, com Pernambuco assumindo condição diferenciada, tendo duas mulheres como governadora e vice, no Palácio do Campo das Princesas.

Nos municípios, apenas cerca de 10% das prefeituras são comandadas por mulheres, vitoriosas em 2024.

Além de falta de legitimidade na gestão desequilibrada em âmbito nacional, a continuidade de políticas públicas definidas, aprovadas e executadas por homens, na maioria das vezes sem a participação feminina, contribui para um ambiente refratário à superação das disparidades.

E pior: resistente à inércia da normalização da violência machista que atravessa gerações e segue desafiando a sociedade brasileira. Por isso é importante a ampliação do número de candidatas para a disputa de votos, a fim de se buscar mais mulheres eleitas.

O fortalecimento da representação política feminina pode ser uma rota promissora para o estabelecimento de políticas mais efetivas de enfrentamento ao machismo, e à violência doméstica que resulta tragicamente na estatística de feminicídios.

Com o poder mais povoado de mulheres, são maiores as probabilidades de escolhas e decisões mais rápidas, focadas nos problemas conhecidos no cotidiano por todas as brasileiras.

E também se torna mais próxima a conscientização da população – de homens e mulheres – no sentido de não restar tolerância com a violência que machuca, cerceia e mata mulheres em qualquer canto do território nacional.

Medidas efetivas contra o machismo começam pela educação de meninos e meninas, formatando uma convivência saudável e justa.

E não dão espaço à impunidade, outra chaga brasileira que não pode continuar na dimensão atual, seja nas altas esferas dos poderes em Brasília, seja no imaginário coletivo em que as mulheres se submetem à vontade opressora dos homens.

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