Tempo integral cresce no Brasil
Depois do pioneirismo de Pernambuco, permanência dos estudantes nas escolas por mais horas por dia se transforma em consenso em expansão
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A ampliação da jornada escolar no país conta, em Pernambuco, com exemplos pioneiros que remontam a época de Jarbas Vasconcelos no Palácio do Campo das Princesas. A compreensão de que o aumento do horário de oferta de conhecimento e atividades nas escolas é benéfica não apenas para o aprendizado, mas sobretudo para a formação humana e a interação social de alunas e alunos, não tardou a se transformar, de política de governo, em política de Estado, sem conotação partidária. Cada gestão buscou contribuir para aumentar a rede das escolas em tempo integral, ampliando e qualificando as unidades escolares para os horários estendidos. E a educação estadual é reconhecida como um modelo para o país, na implantação do tempo integral nas escolas.
Visto também como estratégico para reduzir o fosso das desigualdades brasileiras, o ensino integral recebeu importante impulso quando o pernambucano Mendonça Filho foi ministro da Educação, transportando para o MEC as diretrizes e as metas que simbolizam o consenso a ser buscado como ideal em todo o país. De acordo com o Censo Escolar divulgado pelo governo federal esta semana, mais de um quarto dos matriculados na rede pública do ensino médio, no Brasil, já estudam em regime de tempo integral. O percentual saltou de 16% para quase 27% entre 2022 e 2025, conquista possibilitada pela continuidade de políticas públicas de governos anteriores, sem marcha a ré ou arengas que, na maioria das vezes, apenas atrapalham os ganhos coletivos para a população.
Para Patrícia Mota Guedes, do Itaú Social, trata-se de “uma estratégia estruturante para enfrentar os desafios da aprendizagem e das desigualdades educacionais”. E enfrentar essas desigualdades, podemos acrescentar, é mirar outras desigualdades que se estabelecem do lado de fora do ambiente escolar. Obviamente não basta esticar o tempo, mas preenchê-lo de maneira coerente com os objetivos pedagógicos e formativos. É imprescindível montar “um currículo diversificado, que inclua atividades artísticas, esportivas e culturais, que dialogue com o território e com a realidade dos estudantes, e que fortaleça tanto as aprendizagens cognitivas quanto o desenvolvimento socioemocional. A ampliação do tempo precisa estar a serviço de experiências formativas mais ricas e significativas”, diz Patrícia Mota Guedes à Agência Brasil.
Autor de “Educação: a trilha inacabada”, livro que reúne vários artigos de sua lavra publicados neste JC, o educador Mozart Neves Ramos, ex-secretário de Educação de Pernambuco, recorda a participação do empresário Marcos Magalhães na formulação e implantação do modelo que viria a ser pioneiro no país. E reforça: “Os dados mostram que esse modelo impacta não apenas a qualidade em termos de aprendizagem e de sucesso escolar, mas também a redução das desigualdades educacionais. O jovem quer uma escola que caiba na vida”, escreveu Mozart Neves.
O Brasil começa a colher os frutos de sementes lançadas em Pernambuco, com o tempo integral adotado em todo o território nacional.