Editorial | Notícia

Tempo integral cresce no Brasil

Depois do pioneirismo de Pernambuco, permanência dos estudantes nas escolas por mais horas por dia se transforma em consenso em expansão

Por JC Publicado em 27/02/2026 às 0:00

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A ampliação da jornada escolar no país conta, em Pernambuco, com exemplos pioneiros que remontam a época de Jarbas Vasconcelos no Palácio do Campo das Princesas. A compreensão de que o aumento do horário de oferta de conhecimento e atividades nas escolas é benéfica não apenas para o aprendizado, mas sobretudo para a formação humana e a interação social de alunas e alunos, não tardou a se transformar, de política de governo, em política de Estado, sem conotação partidária. Cada gestão buscou contribuir para aumentar a rede das escolas em tempo integral, ampliando e qualificando as unidades escolares para os horários estendidos. E a educação estadual é reconhecida como um modelo para o país, na implantação do tempo integral nas escolas.
Visto também como estratégico para reduzir o fosso das desigualdades brasileiras, o ensino integral recebeu importante impulso quando o pernambucano Mendonça Filho foi ministro da Educação, transportando para o MEC as diretrizes e as metas que simbolizam o consenso a ser buscado como ideal em todo o país. De acordo com o Censo Escolar divulgado pelo governo federal esta semana, mais de um quarto dos matriculados na rede pública do ensino médio, no Brasil, já estudam em regime de tempo integral. O percentual saltou de 16% para quase 27% entre 2022 e 2025, conquista possibilitada pela continuidade de políticas públicas de governos anteriores, sem marcha a ré ou arengas que, na maioria das vezes, apenas atrapalham os ganhos coletivos para a população.
Para Patrícia Mota Guedes, do Itaú Social, trata-se de “uma estratégia estruturante para enfrentar os desafios da aprendizagem e das desigualdades educacionais”. E enfrentar essas desigualdades, podemos acrescentar, é mirar outras desigualdades que se estabelecem do lado de fora do ambiente escolar. Obviamente não basta esticar o tempo, mas preenchê-lo de maneira coerente com os objetivos pedagógicos e formativos. É imprescindível montar “um currículo diversificado, que inclua atividades artísticas, esportivas e culturais, que dialogue com o território e com a realidade dos estudantes, e que fortaleça tanto as aprendizagens cognitivas quanto o desenvolvimento socioemocional. A ampliação do tempo precisa estar a serviço de experiências formativas mais ricas e significativas”, diz Patrícia Mota Guedes à Agência Brasil.
Autor de “Educação: a trilha inacabada”, livro que reúne vários artigos de sua lavra publicados neste JC, o educador Mozart Neves Ramos, ex-secretário de Educação de Pernambuco, recorda a participação do empresário Marcos Magalhães na formulação e implantação do modelo que viria a ser pioneiro no país. E reforça: “Os dados mostram que esse modelo impacta não apenas a qualidade em termos de aprendizagem e de sucesso escolar, mas também a redução das desigualdades educacionais. O jovem quer uma escola que caiba na vida”, escreveu Mozart Neves.
O Brasil começa a colher os frutos de sementes lançadas em Pernambuco, com o tempo integral adotado em todo o território nacional.

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