Vacina brasileira é avanço mundial
Com um milhão de doses prontas para aplicação, imunizante produzido pelo Instituto Butantan apresenta a vantagem da eficácia em dose única
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Boa notícia para a saúde pública e a ciência nacional: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de vacina com pesquisa e tecnologia brasileiras, para uma doença que aflige milhões de pessoas no país. A primeira no mundo que precisa de apenas uma dose para proteção eficaz contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. A eficácia de cerca de 80% para casos leves, e de 89% em casos graves, é considerada satisfatória. A vacina poderá ser utilizada por indivíduos de 12 a 59 anos de idade. Gestantes, idosos e pessoas com a imunidade reduzida ainda vão ter que aguardar estudos complementares sobre os efeitos da substância aprovada nesses grupos.
Embora a produção seja 100% brasileira, o Ministério da Saúde firmou parceria com um laboratório chinês, a fim de garantir a produção em larga escala. Durante o evento de anúncio da aprovação, com a presença do governador Tarcísio de Freitas, de São Paulo, estado ao qual está vinculado o Butantan, o ministro Alexandre Padilha afirmou que “ultrapassarmos de vez qualquer tempo de campanhas antivacinas ou de conflitos dentro dos governos, que tanto fez mal para a saúde e atrasou o desenvolvimento e a oferta de vacinas no nosso país”. A referência à desconfiança que pairou sobre as vacinas – e ainda paira – em parte da população, em vários países, especialmente na época da pandemia de Covid, não deixa de ser uma forma de defender a ciência nacional, cujo mérito deve ser celebrado com a nova e inovadora vacina contra a dengue.
Com o aval da Anvisa, o governo federal poderá incluir o imunizante na campanha regular de vacinação do SUS. De acordo com o Butantan, a proteção das pessoas imunizadas com a vacina, chamada Butantan-DV, será de cinco anos. Há 1 milhão de doses já disponíveis para aplicação a partir de dezembro, e a previsão é de fabricação de 30 milhões de doses anuais a partir do segundo semestre de 2026. Mais uma vez, a corrida do conhecimento contra as doenças que podem acometer a humanidade, mostra-se indispensável. No Brasil, ano passado, a dengue provocou mais de 6 mil mortes, em quase 6 milhões de casos notificados, números recordes para o país.
O desenvolvimento de tecnologia de base para a imunização dos brasileiros é fundamental para a saúde pública, como evidenciou a tragédia planetária da pandemia, com destaque igualmente trágico no Brasil ante à desinformação e a hesitação política. A conquista de vacina contra a dengue pode ser importante defesa, tanto do ponto de vista imunológico, quanto social e econômico, na medida em que a tecnologia venha a ser transferida e utilizada por outros países. O avanço promovido pelo Instituto Butantan se qualifica como de amplitude global, na luta contra enfermidade que preocupa autoridades em todo o planeta, inclusive a Organização Mundial de Saúde (OMS), que divulga alertas periódicos sobre sua incidência.