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Editorial JC: Entre o plano e a realidade

Previsão de recorde de investimentos para Pernambuco em 2026 reforça a importância do planejamento realista como base do benefício coletivo

Por JC Publicado em 11/11/2025 às 0:00 | Atualizado em 11/11/2025 às 8:44

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Os anúncios de valores orçamentários têm sido dignos de exultação política frequente, em qualquer nível de governo. Para se fazer tudo que os governantes eleitos dizem que podem fazer, no entanto, quase sempre faltam recursos e sobram promessas – quando não restam dívidas para os próximos escolhidos pelo voto popular seguirem empurrando para o futuro.

Até porque, descontadas as folhas salariais do funcionalismo, a previdência, o pagamento de juros e as despesas obrigatórias, não é relativamente muito o que contam os gestores para investir em novas propostas, ideias e projetos. Governar não é apenas fazer escolhas, é fazer escolhas num horizonte de escassez e comprometimento de receita.

Em audiência realizada na Assembleia Legislativa, o secretário estadual de Planejamento, Fabrício Marques, detalhou a previsão orçamentária de Pernambuco para o ano que vem. Na exposição, fez questão de afirmar que os pernambucanos poderão superar os cearenses em volume de investimentos, após uma década de mais recursos para o Ceará.

Embora não se trate de um campeonato regional, a notícia abre a perspectiva de um novo ciclo de conquistas coletivas, a partir da disponibilidade financeira, a exemplo do que outros estados nordestinos vêm obtendo nos últimos anos. O que significa que 2026 é apresentado pelo governo Raquel Lyra como o início de uma fase promissora, em seu último ano de mandato.

O orçamento previsto é de R$ 60,4 bilhões, cerca de R$ 5 bilhões a mais do que o de 2025. As cifras podem dizer pouco para o cidadão, mas traduzem a capacidade do gestor cumprir com suas responsabilidades. Se postas em comparação com outras cifras, temos uma noção das dificuldades de Pernambuco num cenário de desigualdade nacional. Quase todo o orçamento estadual poderá ser alcançado rapidamente pelo fundo de florestas proposto pelo governo federal na COP30. O ministro Fernando Haddad espera não demorar a chegar ao aporte de 10 bilhões de dólares, o equivalente a mais de R$ 52 bilhões de reais, com a contribuição de diversos países.

Também podemos mencionar a previsão orçamentária da cidade de São Paulo para 2026. A prefeitura terá mais que o dobro do estado de Pernambuco: serão R$ 135 bilhões, com investimentos projetados de quase R$ 19 bilhões. Aqui, o secretário Fabrício Marques disse que o investimento per capita será maior do que no estado de São Paulo, o mais rico do país. Tomara que assim seja, e logo, e por um período extenso, pois a população pernambucana é bastante retardatária em relação, por exemplo, à infraestrutura de transportes dos paulistas.

Entre o que se planeja e o que se realiza, há uma distância a ser percorrida pela gestão pública, com visão prioritária e decisão firme na utilização dos recursos existentes. Pela restrição diante das demandas, nenhum centavo – que dirá bilhão – pode ser gasto sem controle e sensatez. Inclusive quando a iniciativa privada é requisitada para dar apoio em investimentos de grande porte, para os quais o setor público não dispõe do montante necessário, no prazo ideal para o benefício coletivo.

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