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Editorial JC: Exemplo de transição energética

Perspectiva de fazer do destino turístico badalado um modelo de sustentabilidade com energia limpa é promissora – mas em baixa escala

Por JC Publicado em 10/11/2025 às 0:00 | Atualizado em 11/11/2025 às 7:05

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Entre os focos de discussão durante a COP30, em Belém, no encontro de líderes e delegações do mundo inteiro em uma conferência sobre o clima e as mudanças climáticas, a descarbonização da economia surge como tema incontornável.

Mesmo que as ambiguidades e contradições apareçam com facilidade, como no caso brasileiro da exploração de petróleo na Margem Equatorial, a transição energética necessária para a descarbonização é discutida como favas contadas por quase todos os países, inclusive os que não estão presentes no encontro, e desempenham papel crucial na produção e consumo de energia – os Estados Unidos sendo o principal deles.

Em paralelo à COP30, o anúncio de projeto privado para a descarbonização do arquipélago de Fernando de Noronha contou com a presença de autoridades ilustres do governo estadual e federal. O objetivo é tornar a produção da energia em Noronha 100% renovável, com investimento sobretudo em placas fotovoltaicas de captação e transformação da luz solar.

Trata-se de importante contribuição de Pernambuco para o cenário da transição energética nacional e global, ainda que envolva estrutura e população atendida em baixa escala. Mas não há dúvida que a conquista pode servir para reforçar a imagem de Noronha como destino turístico associado à sustentabilidade, trazendo Pernambuco e o Brasil a reboque, a partir de um exemplo que seja bem-sucedido em sua forma, propósitos e efeitos no cotidiano dos habitantes e dos visitantes.

A proposta da Neoenergia, em parceria com os governos federal e estadual, representa um passo relacionado com os objetivos declarados do governo federal durante a COP30, englobando a busca de segurança energética, junto com a redução das emissões de gases poluentes que elevam a temperatura, e o uso de tecnologias limpas para o alcance desses objetivos.

O projeto Noronha Verde visa eliminar gradualmente a dependência de combustíveis fósseis no arquipélago, com investimentos da ordem de R$ 350 milhões e a instalação de 30 mil painéis solares integrados a um sistema de armazenamento de energia. A governadora Raquel Lyra e dois ministros de Lula, Alexandre Silveira, das Minas e Energia, e José Múcio Monteiro, da Defesa, estiveram na solenidade de lançamento, que também contou com as presenças do presidente executivo da Iberdrola, Ignacio Galán, e do CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui.

A usina de geração por biodiesel passará a ser utilizada apenas em casos de emergência. A meta é obter a descarbonização completa até 2027, ou seja, em um prazo relativamente breve. O que seria muito bom em termos de experiência de transição energética, como um modelo para o mundo, e de exposição de Noronha enquanto destino turístico sustentável.

A emissão de 22 mil toneladas de gás carbônico por ano deve ser zerada até lá. Para a governadora de Pernambuco, o projeto “é um marco histórico que abre uma nova janela de oportunidades em turismo, inovação e desenvolvimento sustentável”. E podemos complementar, também na gestão da transição energética, em trabalho conjunto da iniciativa privada com o setor público, se tudo correr como esperado.

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