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Rituais,excelências e pixulecos

A toga dos juízes simboliza a impessoalidade, autoridade e a imparcialidade na aplicação da justiça..........................................

Por SÉRGIO GONDIM Publicado em 03/10/2026 às 0:00 | Atualizado em 07/10/2026 às 11:42

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O beija-mão do santo padre simboliza respeito, reverência e submissão à autoridade espiritual do sumo pontífice e, apesar de tradicional, contou com a oposição do querido Francisco por questões de higiene e para evitar sinais de subordinação excessiva. Preferia reforçar a proximidade e a simplicidade.

O uso da coroa pelos reis representa o poder infinito concedido diretamente pelos deuses. A batina simboliza a consagração total do sacerdote à Deus e a morte para as coisas do mundo. O vestido branco, dizem que simboliza a virgindade da noiva. Dizem.

A toga dos juízes simboliza a impessoalidade, autoridade e a imparcialidade na aplicação da justiça.

A fantasia de palhaço diz respeito aos defeitos humanos e a subversão das ordens sociais. O nariz vermelho, considerada a menor máscara do mundo, simboliza a imperfeição, expondo o ridículo do ser humano. Ao usá-lo o ator ganha permissão social para errar e ser bobo sem ser julgado. Os sapatos gigantes simbolizam a dificuldade de caminhar no mundo, tropeçando nos próprios passos, mas sempre se levantando, refletindo a resiliência diante dos obstáculos cotidianos. Os remendos coloridos em suas roupas representam a reconstrução. O palhaço junta os pedaços que sobraram da vida, da pobreza e transforma a escassez em alegria.

Entrando na área da mordomia, existe o uso do carro oficial, jatinho da FAB, diversos tipos de anéis e medalhas sabe-se lá para que. Alguns são usados para identificar, distinguir, homenagear, valorizar, esnobar ou até para humilhar.

No plenário do STF existe um funcionário "o capinha", que tem entre suas funções empurrar a cadeira do ministro quando ocupa o plenário do STF, mesmo para os que não têm limitação física. Uma mordomia das menores, simples, mas que deve ter uma simbologia. Haveria necessidade? Seria justa na casa suprema da justiça? Seria humilhante para o servidor? Ninguém arguiu questão de ordem? O exemplo não seria maior ao demonstrar simplicidade e menos mordomia a la Francisco?

Se for para fazer a reforma do judiciário começaria eliminando essa obrigação "do capinha". Deve ser inconstitucional ter que empurrar a cadeira de quem não precisa. Parece pouco, mas seria simbólico. A seguir, viria a grande reforma necessária.

Entre sentar-se e levantar, o ministro pode se considerar impedido e não cumprir seu papel por ter relações com os que serão julgados ou porque tem mais o que fazer. Também, imagine, pode dizer que não é um qualquer, chamar o colega não mais de excelência e sim de leviano ou pixuleco e exigir respeito. Como resposta: "se merecesse". Foram acusados de manter encontros e acordos, contratos por tabela, diálogos inapropriados com advogados ou empresários ligados a questões tramitando no STF. Encontros de lazer, esportes e farras com interesse no sucesso de suas ações. Jantares, degustações, carnaval dos sonhos e festas suntuosas, mesmo sabendo o básico sentimento de todo ser humano que geralmente tenta retribuir as gentilezas.

No Brasil tem havido muita decepção com o comportamento de funcionários públicos no alto escalão, gente que recebe salário no teto ou acima dele para lidar com orçamentos ou questões bilionárias. É preciso ter firmeza de princípios para resistir aos encantos Vorcarianos, milhões para lá e bilhões para cá, com caráter e espírito público.

De Curitiba, abaixo, acima e ao lado chegam notícias tristes e decepções com autoridades e instituições.

Até agora escapam poucos.

Outro dia encontrei uma pessoa que considerava séria. Ao sentar-se solicitou um funcionário para ajustar a altura da sua cadeira (consistia em girar um botão) e reclamou de forma rude porque a cadeira não estava na sua altura.

Fiquei desconfiado. Deve gostar de Macallan grátis.

Nesse cenário, resta ao brasileiro juntar os pedaços que sobraram da vida, da pobreza e transformar a escassez em alegria, como os palhaços.

*Ministra Carmem Lúcia: Tem gente que vira pixuleco, outros são estandartes.

Nosso respeito.

Sérgio Gondim, médico

 

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