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O que esperar de Augusto Cury?

Nesta eleição presidencial, a pergunta decisiva talvez não seja apenas "em quem você deseja votar?", mas "quem você mais teme que seja eleito?"

Por ADRIANO OLIVEIRA Publicado em 13/09/2026 às 0:00 | Atualizado em 14/09/2026 às 16:49

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Como sempre, os movimentos nas redes sociais, a variação nas pesquisas de intenção de voto e o achismo predominaram nas avaliações sobre o presidenciável Augusto Cury. Ele cresceu, obviamente. E esse crescimento não foi detectado apenas pelas pesquisas de intenção de voto, mas também pelas pesquisas qualitativas da Cenário Inteligência, através do Método SEP — Sentimento, Estratégia e Previsão.

Após o debate da Band, o Método SEP detectou um crescimento expressivo das menções espontâneas a Augusto Cury em três cidades do Nordeste. Cury passou a ser definido por parte dos eleitores como a "esperança diante da polarização". Ou seja: quem demonstrava interesse em sua candidatura revelava cansaço com o lulismo e o bolsonarismo.

Ressalto, entretanto, que esse cansaço não surgiu agora. Ele vem sendo identificado pelas pesquisas da Cenário Inteligência desde o início de 2025. Todavia, os opositores ao lulismo ficaram míopes e fizeram uma opção estratégica equivocada: ser oposição a Lula continuando viúvos do bolsonarismo. Parte do eleitorado desejava uma alternativa a Lula e ao bolsonarismo. Não encontrava. Foi exatamente nesse espaço que a candidatura de Augusto Cury cresceu. E Cury seguirá crescendo? Tenho a hipótese de que não. Considero esse cenário remoto.

Novas pesquisas qualitativas da Cenário Inteligência mostram que Cury continua associado ao sentimento de esperança, mas outro sentimento começou a aparecer: despreparo. Para alguns eleitores, Augusto Cury não está preparado para ser presidente do Brasil. Eis um obstáculo relevante para sua trajetória eleitoral. Soma-se a isso algo que venho frisando há bastante tempo: a eleição presidencial que se avizinha será dominada pelo medo. É esse sentimento que alimentará a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.

O mecanismo psicológico de parte do eleitorado é simples: "Não gosto de Lula nem de Flávio. Mas somente Flávio pode derrotar Lula, de quem não gosto de modo algum. Então, irei com Flávio". Do outro lado: "Não gosto de Lula nem de Flávio. Mas somente Lula pode derrotar Flávio, de quem não gosto de modo algum. Então, irei com Lula". Percebam: não é necessariamente o entusiasmo que fortalece os dois candidatos. É o medo da vitória do outro. É exatamente aí que está o principal obstáculo de Augusto Cury. Para romper a polarização, ele precisaria convencer os eleitores de que tem condições reais de chegar ao segundo turno e vencer. Caso contrário, quando a eleição se aproximar, parte dos que hoje enxergam nele esperança poderá migrar para Lula ou Flávio movida pelo voto útil e, sobretudo, pelo medo.

Augusto Cury encontrou um sentimento eleitoral que já existia: o cansaço com a polarização. Cresceu porque passou a representar uma esperança para quem desejava uma alternativa. Mas esperança, sozinha, pode não ser suficiente para vencer o medo. Por isso, considero remoto, neste instante, o cenário de Cury rompendo a polarização. Nesta eleição presidencial, a pergunta decisiva talvez não seja apenas "em quem você deseja votar?", mas "quem você mais teme que seja eleito?". E a resposta a essa pergunta mostrará quem será o próximo presidente da República.

Adriano Oliveira , cientista político. professor da UFPE. Fundador da Cenário Inteligência: Método Qualitativo SEP (Sentimento - Estratégia - Previsão) & Estratégia.

 

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ADRIANO OLIVEIRA

editores@jc.com.br

Doutor em Ciência Política e professor da UFPE