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Compromisso para as eleições

Combate à corrupção como política de Estado e compromisso prioritário dos candidatos será um passo essencial para fortalecer instituições.

Por EDUARDO CARVALHO Publicado em 05/09/2026 às 0:00 | Atualizado em 08/09/2026 às 10:52

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A corrupção costuma ser tratada como um problema moral, jurídico ou político. Entretanto, a experiência de países de elevada integridade sugere uma compreensão mais ampla: a corrupção é também um problema institucional, cultural e educacional.

Canadá, Dinamarca, Finlândia, Nova Zelândia, Singapura, Suécia, Suíça e Estônia. Apesar das diferenças, compartilham características que ajudam a explicar resultados.

Uma delas é a existência de instituições fortes e independentes. Órgãos de fiscalização, controladorias e sistemas judiciais devem ter autonomia para investigar irregularidades. A lei deve alcançar todos, independentemente de cargo ou poder econômico. A percepção de que ninguém está acima das regras fortalece a confiança pública e desestimula práticas ilícitas.

Outro fator decisivo é a transparência. Quanto mais acessíveis as informações governamentais, maior a fiscalização pela sociedade. Gastos públicos, contratos, remunerações e processos decisórios podem ser acompanhados pelos cidadãos. Quando a informação circula livremente, torna-se mais difícil ocultar desvios.

A tecnologia também pode ser poderosa aliada. A Estônia tornou-se referência internacional pela digitalização dos serviços públicos. Reduzir burocracia e intermediações reduz oportunidades de favorecimentos e desvios. A prevenção da corrupção passa, assim, a integrar o desenho do Estado.

A educação exerce papel igualmente fundamental. Países como Finlândia e Dinamarca investem na aprendizagem acadêmica e na formação cidadã. Crianças e jovens devem aprender ética, responsabilidade coletiva, participação cívica, respeito às instituições e cuidado com o que pertence a todos. Integridade também se aprende e se cultiva.

Igualmente importante é reduzir a percepção de impunidade. Quando irregularidades são comprovadas, as consequências precisam ser efetivas e proporcionais, respeitando o devido processo legal. A responsabilização não pode depender da posição do infrator. Esse princípio fortalece a credibilidade das instituições e transmite mensagem clara: corrupção tem consequências.

Em contraste, sociedades convivem há décadas com clientelismo, favorecimentos e apropriação privada do interesse público. O problema se agrava quando pequenos desvios são tolerados. Aquilo que parecia exceção começa a ser normalizado, criando ambiente favorável a transgressões maiores.

Se conhecemos experiências bem-sucedidas, por que é tão difícil adotar medidas semelhantes? Reformas que ampliam transparência, fortalecem instituições, aperfeiçoam controles e reduzem privilégios podem contrariar interesses estabelecidos. Quem se beneficia da opacidade dificilmente apoia mecanismos que aumentem a fiscalização.

Combater a corrupção exige mais do que criar novas leis ou manifestar indignação diante de cada escândalo. Requer estratégia permanente, instituições independentes, transparência, transformação digital, educação cidadã, liderança ética, controle social e responsabilização efetiva.

A experiência internacional demonstra que é possível reduzir a corrupção. Existem referências, práticas e resultados que podem orientar políticas públicas realmente eficazes e duradouras.

Nas eleições de 2026, deveremos perguntar aos candidatos aos poderes Executivo e Legislativo: qual é o seu plano concreto para reduzir a corrupção? Precisamos conhecer propostas, metas, mecanismos de prevenção, transparência, fiscalização e prestação de contas. Mas propostas não bastam. É essencial avaliar a trajetória ética do candidato, sua coerência entre discurso e prática e sua conduta na vida pública e profissional.

Transformar o combate à corrupção em política de Estado e compromisso prioritário dos candidatos será um passo essencial para fortalecer nossas instituições, recuperar a confiança dos cidadãos e construir um Brasil mais ético, eficiente e justo. A mudança também depende do eleitor: combater a corrupção começa pela responsabilidade de escolher quem receberá o poder de representar a sociedade.

Eduardo Carvalho, conselheiro / Harvard University Advanced Leadership Fellow

 

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