As eleições de 2026
Estamos rapidamente ficando para trás, o que, às vezes, penso ser o verdadeiro propósito daqueles que almejam o poder..............................
Clique aqui e escute a matéria
Para nossa infelicidade, teremos campanhas marcadas por discursos sobre corrupção, e não será fácil escapar dessa pecha. Se, de um lado, apontam como calcanhar de Aquiles o filho do atual presidente e pessoas próximas a ele, do outro, a situação não é muito diferente com o caso Master. Chamar o adversário de ladrão será mesmo o mote do próximo escrutínio?
Enquanto nosso barco permanece parado nas águas turvas da especulação e sob a ameaçadora nuvem negra da tempestade discursiva, outros países seguem navegando em busca de avanços na educação e na tecnologia, com aplicações capazes de gerar empregos em praticamente todas as áreas.
Portanto, não estamos apenas parados em um mar de lama, estamos rapidamente ficando para trás, o que, às vezes, penso ser o verdadeiro propósito daqueles que almejam o poder no Brasil.
Um lado vem e diz que devemos privatizar tudo. O outro o contrário. Surgem exemplos, de parte a parte, do que deu e do que não deu certo. Um dos temas é a privatização da Petrobras. Os contrários à medida apontam que, na Noruega, a exploração é conduzida por uma empresa cujo capital é majoritariamente estatal; os favoráveis, por sua vez, citam a Inglaterra.
Devemos renunciar à tecnologia que conquistamos e da nossa capacidade de produção para ficarmos na dependência de terceiros? Caminhamos para ocupar o quinto lugar mundial na produção de petróleo, e o setor energético ainda pesa positivamente na balança comercial brasileira.
Em outras áreas, também encontramos disputas e discursos. No governo anterior, foi cogitada a venda da Embraer. Hoje, a empresa vive em céu de brigadeiro, com resultados financeiros recordes. O tempo mostrou o contrário do que se dizia.
O que seria do Brasil sem a Embrapa? Um país dependente da importação de alimentos? Com peso quase nulo como potência agrícola? Houve uma verdadeira revolução tecnológica no campo, com o desenvolvimento de espécies adaptadas a condições antes adversas. Essa é a verdade.
Guerras fora do nosso continente mostraram o quanto é importante buscarmos o máximo de produção e autossuficiência. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, as crises nos mercados de petróleo e de fertilizantes cobraram seu preço.
A busca pelo ponto de equilíbrio é necessária, e devemos nos afastar dos discursos baratos e pornográficos daqueles que desejam ocupar cargos governamentais.
Precisamos de progresso com responsabilidade e planejamento, bem como do combate ao crime organizado e ao desorganizado, dos mais altos escalões aos níveis mais baixos, a fim de restaurar o espírito de confiança e a paz social.
Precisamos, ainda, de programas de desenvolvimento que assegurem energia, água e saneamento para todos; da construção de estradas, portos e aeroportos; e de uma infraestrutura planejada e executada com solidez.
É necessário elaborar planos que sejam iniciados e cuja continuidade seja assegurada, sem que novos governos simplesmente os abandonem sob o pálido argumento de que estavam equivocados, causando custos enormes e prejuízos incalculáveis.
Quando teve início a duplicação da BR-101? E da BR-116? Quanto custou — e ainda custa — a não conclusão dessas obras? Segundo dados do TCU, das 22.621 obras financiadas com recursos federais e mapeadas até abril de 2025, 11.469 estavam paralisadas, o equivalente a 50,7% do total.
As Bets lucraram em um ano algo próximo dos 37 bilhões. A título de que? Na Noruega este mercado de jogos de azar, opera sob monopólio estatal. Gerou lucro e todo ele foi revertido para causas sociais, esportes, cultura ...
Assim fica complicado. Vamos aguardar os debates e votar, mais uma vez, com a esperança — profissão do brasileiro — de dias melhores.
Que os presidentes da Câmara e do Senado, assim como deputados e senadores, colaborem com a construção de um verdadeiro projeto de nação, sob pena da barca afundar de vez.
Carlos Carvalho, Advogado