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O novo parque

O Projeto Novo Recife surge pelas mãos dos que acreditaram numa proposta de urbanismo que incorpora sonhos e reconhece ser possível seguir adiante

Por PAULO ROBERTO BARROS E SILVA Publicado em 19/08/2026 às 5:00

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Há cerca de um ano, em julho de 2025, registrei em artigo deste JC, o reconhecimento pelos pernambucanos do Projeto Novo Recife, que após 10 anos se apresentava como havia sido projetado. E poucos acreditavam. Naquela oportunidade tinha início as obras de infraestrutura, demarcando o espaço público e o espaço privado, com ênfase para o nascimento do Novo Parque, contemplando três áreas do projeto dentro dos 100.000 metros quadrados do terreno original.

Na sequência dos estudos foi determinado assegurar que apenas 35.000 metros quadrados seriam de uso privado, e os 65.000 metros quadrados restantes seriam de uso público. Com destaque para áreas de convivência, destacando-se três territórios estratégicos: o Polo da Grande Praça, o Polo Cultural do Forte das Cinco Pontas e o Polo de Esportes e de Lazer do Viaduto Capitão Temudo.

Os três Polos redesenham o entorno dos empreendimentos imobiliários, permitindo a afirmação da predominância do terreno original em favor da cidade.

E assim foi projetado. O reconhecimento do Projeto Novo Recife como marco da arquitetura, do urbanismo e do paisagismo estavam se apresentando. Era fato e não discurso. Era percepção de que há como mudar sem destruir, há como reconhecer a ruptura de muros a proteger o lado de dentro em detrimento do espaço urbano.

O Projeto Novo Recife é a afirmação de como se pode acreditar na mudança do processo de desenvolvimento urbano, através da melhoria dos condicionantes urbanísticos. E mais, da adequação entre o novo e o velho – o futuro e a preservação do passado.

O Projeto está em fase inicial no que se refere aos espaços públicos e privados que começam a surgir. A infraestrutura está posta, os “parques” estão nascendo. E resgatando valores que não se pode apagar. Como por exemplo, a Praça de Burle Marx, ao lado do Cabanga Iate Clube, está mais cuidada, e mais bonita, e plenamente utilizada – era uma ilha cercada de automóveis por todos os lados.

Assim, a surpresa da Grande Praça era esperada, pela natural dificuldade de se olhar para o futuro e acreditar no que se propõe fazer. Muitos que não acreditavam olharam de lado o que está sendo visto. Trata-se de um equívoco que vem de antes do Projeto Novo Recife ser reconhecido. Importa registrar que para enfrentamento do debate foram realizadas 54 encontros, dezenas de apresentações e grupamentos sociais de múltiplas formações, contemplando ideias e sugestões.

Esta semana, circulei por parte do sonho que se fez concreto, o gramado, brinquedos, caminhos de passeios de crianças, de jovens e adultos. Olhei para onde seriam os futuros grandes parques e percebi o muito que se tem que fazer. Vamos descobrir o Palácio do Campo das Princesas percorrendo a Avenida Dantas Barreto até atingir a Bacia do Pina. Descobrir o Parque do Cabanga, junto ao Viaduto Capitão Temudo, ampliando o verde, o lazer, a natureza, integrando ramais ferroviários e rampas automobilísticas.

Ainda há muito a surpreender. O Projeto Novo Recife surge pelas mãos dos que acreditaram numa proposta de urbanismo que incorpora sonhos e reconhece ser possível seguir adiante.

Olhar para o que ainda se vai fazer, significa mirar o sonho futuro olhando para o passado histórico dos velhos armazéns de açúcar a serem recuperados e entregues a Prefeitura – transformando-se em um grande ambiente de uso cultural a ser adotado para uso público.

E assim é o Projeto Novo Recife, e assim foi a travessia dos velhos armazéns quando empreendedores visionários acreditaram ser possível olhar para o amanhã e fazer acontecer, transformando o vazio urbano em espaço destinado ao pleno uso pelos pernambucanos, onde a moradia, as atividades de recreação e lazer, a melhoria da mobilidade, confirmam o acerto de uma proposta consistente e consequente. Realmente está bonito e dá gosto de ver como afirma o Prefeito do Recife, em anunciar uma parte do que se implantou – o Novo Cais e seus atributos urbanísticos.

Paulo Roberto Barros e Silva, Desenhista

 

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