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As chamas da vingança

Como está claro que se a humanidade não buscar meios de conter o aquecimento global, não restarão nem o Pantanal nem a Floresta Amazônica

Por IVANILDO SAMPAIO Publicado em 08/08/2026 às 22:56

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Nos últimos 40 dias, países de diferentes continentes e regiões foram atingidos por incêndios florestais, alguns de dimensões inimagináveis, com
prejuízos diretos e indiretos que ainda não foi possível calcular. Na Grécia, por exemplo, onde morreram cinco bombeiros, o fogo espalhou-se por mais de 140 km2, área superior as cidades de Paris e Lisboa. Na França, os incêndios castigaram principalmente a Região de Bordeaux, ameaçando os imensos vinhedos, de onde saem alguns dos melhores "tintos" da Europa.

Durante a Copa do Mundo, todos viram o fogo consumindo florestas do Canadá, ameaçando, inclusive, a realização de alguns jogos, em estádios
que não estavam tão perto assim, mas que eram invadidos por nuvens de fumaça que se deslocavam em sua direção. Esse problema que não é recente. Temos visto, anualmente, o fogo acontecendo em várias regiões de Portugal, principalmente no Norte, algumas vezes com vítimas fatais.

Em 2003, na Sibéria, o fogo destruiu 22 milhões de hectares de vegetação, provavelmente o maior incêndio já registrado na face da terra. Isso é muito mais do que a área queimada no Pantanal mato-grossense, que a cada ano sofre com os incêndios, e o desmatamento - e que agora se encontra perigosamente ameaçado com a chegada do "El Niño".

Aliás, os primeiros sinais desse fenômeno climático já estão hoje presentes nas enchentes, ventanias e tornados que ocorrem nos Estados do Sul, sem distinção entre o Paraná, Santa Catarina e o Rio Grande . A floresta amazônica também tem sido vítima desses incêndios, alguns criminosos, como se desconfia que foram criminosos alguns focos que ocorreram no Estado de São Paulo, atingindo plantações de café, de cana-de-açucar e de laranjas, com forte impacto econômico na economia rural da região atingida.

Pergunta-se: não há remédio para se controlar esses incêndios? Por qual razão eles se tornaram mais frequentes e mais devastadores?

Razões, há várias, mas para o fogo "espontâneo" a culpa é exclusivamente do Homem, que contribui diariamente para o aquecimento global, a começar pelos Estados Unidos, a maior potência do globo. Tão logo tomou posse, o presidente Donald Trump, ídolo da Família Bolsonaro, incentivou a queima de combustíveis fósseis, invadiu a Venezuela para se apossar de suas reservas de petróleo, prendeu e escondeu Nicolas Maduro, que hoje ninguém sabe onde está ou se ainda é vivo.

Negacionista, ele duvida (ou finge duvidar) do aquecimento global, retirou os Estados Unidos de todas instituições que tinham atuação global na busca de um mundo mais seguro e mais justo. Trump também começou uma guerra contra o Irã, com desculpa de que a segurança do seu País estava ameaçada; apoiou, desde os primeiros dias, o genocídio praticado por Benjamin Netanyahu contra o povo palestino, bombardeando escolas e hospitais e causando a morte de milhares de civis da população libanesa.

Lembro-me bem dos meus primeiros dias na Universidade, numa aula da cadeira de "Publicidade & Propaganda", quando ainda se ensinava isso. O professor Mauro Almeida, de saudosa memória, citava um exemplo de como um erro de previsão num anuncio publicitário pode ter uma efeito inverso. Uma indústria fabricante de um tipo de "achocolatado", que vinha perdendo espaço para os concorrentes, investiu alguns milhões na moeda da época, para um campanha publicitária cujo "bordão" dizia: "Gostoso, como uma tarde no circo".

A campanha deveria ser lançada nacionalmente numa segunda-feira. Um dia antes, numa tarde de domingo, o "Circo Americano", instalado na periferia de Niterói, iniciava o espetáculo, quando começou a sofrer um pequeno incêndio. Não foi controlado, começou a crescer e de repente se tornou incontrolável, espalhando-se o pânico e o terror.

Morreram 503 pessoas, a grande maioria, crianças. É claro que todo investimento feito na campanha publicitária foi perdido. Como está claro que se a humanidade não buscar meios de conter o aquecimento global, não restarão nem o Pantanal nem a Floresta Amazônica, pois todos nós
estamos no picadeiro de um circo maior e mais vulnerável, ao fogo provocado pelo Homem.

Ivanildo Sampaio é jornalista

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