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Paciência tem limite

O radicalismo entre candidatos de esquerda ou de extrema direita impede o surgimento de um nome apaziguador, com perfil de estadista

Por IVANILDO SAMPAIO Publicado em 18/07/2026 às 18:47

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As novas gerações não conheceram Sérgio Porto, escritor, jornalista, cronista, humorista e radialista carioca, que escrevia sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, tinha uma "tia" fictícia chamada Zulmira, um primo chamado Altamirando e que, desde os primeiros dias do Golpe militar de 1964, foi um dos poucos a criticar e gozar com os militares.

Quando surgiram as primeiras denúncias envolvendo algumas figuras da política ligadas aos novos donos do Poder, Stanislaw recomendava: "Restaure-se a moralidade, ou locupletemo-nos todos".

Nesses tempos que vivemos hoje, está difícil restaurar a moralidade; mais difícil ainda é "nos locupletarmos todos", condição que se tornou privilégio de alguns, especialmente de líderes políticos como Waldemar Costa Neto, Ciro Nogueira e Davi Alcolumbre, além de mais meia dúzia de raposas velhas, ungidas por um sistema político antiquado, viciado, algumas vezes corrupto - uma praga que parece atingir todas as instâncias do Poder, com raríssimas e louváveis exceções.

No Supremo Tribunal Federal, onde alguns integrantes caminham sob suspeitas, o ministro Flávio Dino, na sua luta permanente contra a corrupção que entranhou-se nessa República adoentada, é acusado de "não respeitar a independência" dos Poderes; de querer transformar o Judiciário numa instituição acima de tudo e da lei. E mesmo nos porões do Judiciário, Flávio Dino é visto com "maus olhos" por alguns companheiros de toga.

Entre as muitas imoralidades com as quais a nossa República teve de conviver, o chamado "Orçamento Secreto" certamente é uma delas. Criado na Câmara dos Deputados durante a presidência do alagoano
Arthur Lira, diante do qual Renan Calheiros, seu conterrâneo e adversário politico, não fica sequer no "banco de reservas", os efeitos perversos dessa invenção perduram até hoje.

Pois bem, esse "orçamento secreto", que já era abominável, germinou coisas ainda piores. Não bastassem a existência de emendas parlamentares vistas sob suspeita, com recursos milionários destinados a municípios inexpressivos, ou a destinatários desconhecidos, descobriu-se agora que verbas igualmente milionárias desse processo criminoso eram solicitadas por Waldemar Costa Nelo, presidente do Partido Liberal, uma das maiores organizações Políticas do Brasil.

Como a apresentação de emendas é uma prerrogativa dos parlamentares, o ministro Flávio Dino questionou a Câmara dos Deputados sobre a "paternidade" de algumas delas. E quase sem acreditar, interpelou o político para que negasse ou confirmasse a informação.

Waldemar Costa Neto não negou: afirmou, com empáfia, que era presidente de um Partido, "e Presidente de Partido é para isso mesmo, se assim não fosse, não deveriam existir". Até mesmo o ministro Flávio Dino, acostumado a ouvir barbaridades, demonstrou surpresa diante da resposta do político que, "ao vivo e em cores", tenta justificar, com a maior "cara-de-pau", um ato criminoso com uma argumentação mentirosa.

Queiramos ou não, nossa República está podre; nossa democracia, capenga; nosso Futuro e o futuro dos nossos filhos e nossos netos, colocado nas mãos desses Políticos de hoje, é imprevisível. O radicalismo entre candidatos de esquerda ou de extrema direita impede o surgimento de um nome apaziguador, com perfil de estadista, que consiga recuperar para a sociedade alguma esperança no futuro de nosso país. Não será fácil. Resta esperar.

Ou relembrar as "Catilinárias":

Quousque tandem abutere, senhores políticos, patientia nostra? 

Ivanildo Sampaio é jornalista

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