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Inacabado

Com Flávio sob suspeita e Lula protegendo o filho, deveria haver caminho aberto para o candidato que representasse a "terceira via". Mas não há

Por IVANILDO SAMPAIO Publicado em 23/05/2026 às 18:14 | Atualizado em 23/05/2026 às 18:17

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Informações divulgadas pela Imprensa nacional, e confirmadas pelas partes envolvidas, dão conta de que estão orçados em 13 milhões de dólares os custos de produção do filme que, até agora, tem o título de "Dark Horse", e que se propõe a mostrar na tela grande a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, caso raro na cinegrafia nacional.

Convenhamos: um orçamento de 13 milhões de dólares será sempre muito dinheiro na produção de um filme, muito mais do que custaram juntos todos os filmes produzidos e dirigidos pelo premiado cineasta pernambucano Kléber Mendonça Filho, que noutros tempos foi também crítico de cinema deste jornal.

Ainda segundo a Imprensa, foi Daniel Vorcaro o grande "mecenas" desta produção tão cara - e que agora tem impacto direto na pré-campanha eleitoral, quando o candidato Flávio Bolsonaro, o "Zero Um", se viu, de repente envolvido nesse complicado enredo, negando e "desnegando" suas relações com o banqueiro, já que era impossível apagar o conteúdo das conversas entre os dois, gravadas e reveladas nos celulares de ambos, quando Vorcaro já estava usando tornozeleira eletrônica, sob suspeita de crimes muito graves.

Aliás, é de estranhar que o Banco Master não tivesse quebrado antes.

Por ordem de Vorcaro ou sob seu comando, o Banco financiava festas suntuosas no Brasil e no Exterior; transportava em jatinhos integrantes dos Três Poderes; bancava hospedagem de convidados em hotéis de luxo na Europa, que iam participar de exclusiva degustação de bebidas especiais.

Era um comportamento inimaginável para um diretor do Bradesco, do Itaú ou do Santander, que tinham um lastro inúmeras vezes superior ao Banco Master. Mas, isso já é outra coisa.

Nos telefonemas de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro o candidato à Presidência pede dinheiro ao então banqueiro para "dar continuidade às filmagens", pede também desculpas pela ligação e jura que "estamos juntos", parecendo ignorar o poço sem fundo onde o ex-banqueiro começava a afundar.

Ou que era um pré-candidato ao cargo mais alto do País, para quem se exige, no mínimo, uma conduta ética e comportamento ilibado. Há, também, desconfiança de que parte desse dinheiro garantia a permanência de Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde vive trabalhando contra nosso país.

De outro lado, o presidente Lula, em busca do terceiro mandato, tem sempre no seu caminho a sombra da desconfiança sobre um filho, que estaria envolvido no "escândalo do INSS".

Ate agora nada foi provado contra ele, mas também não lhe deram uma certidão de comportamento absolutamente limpo, com a dúvida atormentando os seguidores do Presidente.

Diante de um quadro como esse, com um candidato da "direita" envolvido em tenebrosas transações e seu adversário trabalhando para colocar o filho acima de qualquer suspeita, deveria haver um caminho aberto para o candidato que representasse a chamada "terceira via". Mas não há.

Há sim, os ex-governadores Ronaldo Caiado, de Goiás; e Romeu Zema, de Minas Gerais, ambos órfãos de votos e viúvos de prestígio político, que se colocam como herdeiros do bolsonarismo, queira ou não queira o ex-presidente e ídolo maior da extrema direita brasileira.

Ambos só deverão estar juntos na sessão de estreia de "Dark Horse", se no lugar de Daniel Vorcaro, aparecer um novo mecenas que aceite bancar os custos de um filme que, até agora, "foi, sem nunca ter sido".

Flávio poderia pedir essa ajuda ao empresário Luciano Hang, Dono das Lojas Havan, aquele que se vestia com a bandeira brasileira e subia no palanque do ex-presidente com pompa e circunstância. Pelo menos até agora, não consta que Hang tenha contas a ajustar com a Justiça.

Ivanildo Sampaio é jornalista

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