A Quarta Perimetral
Em tempo de obras estruturadoras, dar sequência ao desenvolvimento no seu sentido mais amplo. É hora de cuidar da IV Perimetral Metropolitana.
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Pernambuco passa por um momento especial - a realização de obras estruturadoras, focadas no desenvolvimento, pensadas e estrategicamente projetadas há décadas, começam a sair do papel, ou melhor, sair dos desenhos e da omissão de gestores públicos. Assim, percebe-se a retomada da Ferrovia Transnordestina - unindo o Sertão pernambucano e o Centro Oeste brasileiro com SUAPE. Um sonho de alguns que se torna realidade, resultando na concretização da ampliação do Porto para o padrão dos portos internacionais. Na sequência percebe-se a viabilidade da extensão da duplicação da BR-232, bem como do crescimento do Aeroporto dos Guararapes e, finalmente a Escola de Sargentos e seus 5.000 empregos.
Agora é tempo de registrar o início do Arco Viário Metropolitano. São exemplos do Pernambuco reconhecido como o Leão do Norte. Dentre eles, o Arco Viário é uma obra de caráter especial, posto que a sua mobilidade como prioridade visível é parte do consequente componente econômico. O Arco cria uma nova dinâmica urbano-metropolitana ao retirar, do centro da cidade metrópole, milhares de caminhões e de automóveis que são obrigados, cotidianamente, à travessia pela engarrafada BR-101, seja com destino a SUAPE, seja para um pedaço da via que circula pelo Brasil, entre os "dois estados Rios, o do Norte e o do Sul".
Pois bem, para registro, esta obra está contida no Plano Diretor de SUAPE 2035 desde a sua elaboração em 2011, quando foi inserida no Masterplan. E antes, bem antes, desenhada pela FIDEM como parte da sua agenda prioritária para o desenvolvimento do Estado. Agora, há que se pensar e se fazer uma transformação consequente, a BR-101 vai seguir o seu rumo acessando o Arco Viário e seguindo do Cabo de Santo Agostinho até Itapissuma. Trata-se de cerca de 75 km de via expressa, adequada ao transporte de massa. E ainda o fluxo de veículos que não se destinam à Região Metropolitana. Não há como alterar essa nova realidade. É evidente que assim será tão logo se apresente a obra feita. Por consequência, cabe a antecipação do Governo de Pernambuco assumindo a determinação do que se apresenta como evidência: a criação da IV Perimetral Metropolitana, pois que a Autopista BR-101, permanecerá no seu trajeto, entretanto transformando-se no novo eixo estrutural urbano que tem início em Ponte dos Carvalhos, no Cabo de Santo Agostinho, prossegue pela antiga BR-101, em Pontezinha, alcança Prazeres, em Jaboatão, segue o rumo até a CEASA, no Recife, continua sua travessia chegando ao Rio Beberibe.
Essa é uma possibilidade de baixo custo e alto desempenho funcional.
Esse é o Rumo da IV Perimetral. Se faz urgente cuidar da via em caráter urbano, antes que o DNIT a abandone definitivamente e as suas bordas sejam rapidamente ocupadas de forma irregular como tantos exemplos semelhantes Brasil afora.
Para tanto, cabe observar a correção dos equívocos nas três perimetrais atuais, atentando para uma tipificação de usos de mobilidade capaz de reconhecer o transporte de massa como prioritário, o controle da velocidade para veículos, as ciclovias e calçadas focadas na segurança e uma sinalização adequada. Cabe rever a macrodrenagem, a iluminação, a interseção/integração com o regramento viário federal. Cabe buscar o controle da BR-101, no trecho da programada via perimetral, tendo em vista que o DNIT não reconhece as cidades por onde passam suas BRs.
Complementarmente, cabe promover uma análise capaz de responder sobre a possibilidade de inserção da "linha do metrô" entre a Estação de Cavaleiro em Jaboatão e a Estação de Integração do Transporte por ônibus em Dois Irmãos, no Recife.
Trata-se de uma tarefa de governo capaz de fazer acontecer. Entretanto é oportuno aprofundar a leitura do que, quando e quem fazer, começando pelo componente institucional - trazer a BR-101/IV Perimetral para o controle do DER, assumindo o processo de gestão em parceria com o CONDEPE/FIDEM, observando os pontos de conflito atuais e as consequências futuras, de maneira que a atual rodovia se apresente à metrópole como eixo viário estrutural a beneficiar grande contingente de pessoas, cotidianamente.
Finalmente, em tempo de obras estruturadoras, dar sequência ao desenvolvimento no seu sentido mais amplo, é parte da responsabilidade do setor público, portanto do Governo de Pernambuco. É hora de cuidar da IV Perimetral Metropolitana.
Paulo Roberto Barros e Silva, desenhista