O Tráfico de Pessoas é uma Changa
Essa ação criminosa fere o coração de Deus e todo cidadão necessita abraçar essa causa de pessoas não têm a quem recorrer e sofrem
Clique aqui e escute a matéria
PADRE BIU DE ARRUDA
O tráfico de pessoas não é fato novo na sociedade hodierna. É tão antigo quanto a humanidade. Nas Sagradas Letras, pode ser constatado o emblemático caso de José do Egito, narrado no livro do Gênesis, do capítulo 37 ao 50, que, por causa de inveja dos irmãos, foi vendido por 20 moedas de prata para os ismaelitas e revendido depois, como escravo, para Potifar, um oficial do faraó. Além desse fato, há também o relato do desterro forçado de populações inteiras devido às guerras. Os próprios hebreus foram vítimas de trabalho forçado no Egito. Nos tempos vigentes, por causa das guerras, muitas pessoas são escravizadas e exploradas em todos os sentidos.
Tráfico de pessoas é crime. Basta ver a Lei nº 13.344, de 6 de outubro 2016. Configura-se o crime, quando a pessoa é levada a uma situação de exploração, mesmo que, de início, tenha concordado. O tráfico de pessoas pode acontecer visando a vários fins: exploração sexual, trabalho equivalente ao de escravo, remoção de órgãos humanos, adoção ilegal etc. A pessoa que é traficada tem a sua liberdade mitigada e sua dignidade humana ferida. Afinal, todos nós fomos “feitos à imagem e semelhança do Criador” (Gn 1, 26-28).
A fim de conscientizar a humanidade para o combate a essa ação criminosa, a Assembleia Geral das Organizações das Nações Unidas determinou que 30 de julho é dia mundial de enfrentamento ao tráfico de pessoas. Por essa razão, todo cidadão necessita abraçar essa causa para dirimir ou suavizar a situação de tantas pessoas que sofrem e não têm a quem recorrer. Essa ação criminosa fere o coração de Deus. Por isso, ninguém deve ser indiferente a essa deplorável situação.
Para sensibilizar todos, existe a Campanha do Coração Azul. É uma iniciativa do Escritório das Nações Unidas que acontece em muitos países do mundo. E aqui no Brasil, o Ministério da Justiça aderiu à campanha, desde julho de 2014, mobilizando a sociedade brasileira para o enfrentamento do tráfico de pessoas. O tráfico de pessoas não acontece de uma hora para a outra. Os aliciadores recorrem a vários meios. Por exemplo: usam as redes sociais com perfis falsos, apresentando propostas irresistíveis; jogos online, criando vínculos de manipulação; falsas promessas de empregos com boa remuneração; agências de viagem falsas; usa pessoas próximas para passar confiança etc.
O adágio popular de que “a esmola grande o cego deve desconfiar”, vale também para os métodos dos aliciadores de pessoas. Geralmente, eles apresentam vantagens ótimas para quem está em situação de dificuldades financeiras e afetivas. Não podemos fechar os olhos para essa realidade que macula a dignidade humana. E a situação pode se tornar mais agravante, quando, quem um dia foi traficado e por situações outras, começa a traficar também, reverberando assim uma corrente de maldade humana.
Em consideração derradeira, a prevenção é o melhor caminho, pois sabemos que as pessoas mais vulneráveis são as crianças e os adolescentes, mulheres e meninas, os migrantes e imigrantes, as pessoas em estado de vulnerabilidade etc. Por isso, antes de aceitar uma oferta de trabalho irresistível, procure saber a vida atávica da pessoa ou da empresa. Não apresentar ou entregar os documentos de identificação para estranho. Pois, a liberdade e a dignidade humana não se vendem; são atributos divinos. Por essa razão, é preciso denunciar, discando 100 ou 180. Assim, você ajuda a quebrar a corrente do flagelo do tráfico de pessoas.
Pe. Biu de Arruda – AOR é pároco da Paróquia de Santa Luzia