Religião | Notícia

Fé e Política

As pessoas pensam que a política se refere apenas e tão somente ao ato de escolher alguém pelo voto para representar o povo, mas é muito mais

Por JC Publicado em 06/09/2026 às 0:00

Clique aqui e escute a matéria

Siga o JC no Google e acompanhe
tudo o que você precisa
Seguir no Google

PADRE BIU DE ARRUDA

Há quem pense que fé e política são díspares. Quiçá, a pessoa que assim cogita, pode estar equivocada. A política é tão importante que Pio XII assim disse: “depois da fé, o ato mais importante do homem é a política”. Seguindo esse mesmo diapasão, pontificou o inesquecível Papa Francisco: “a política é um grande meio para se fazer a caridade”. Bem antes, o filósofo Aristóteles disse que “o homem é um animal político”. Daí, depreende-se o valor da política. Diante disso, não é viável dissociar a fé da política. As duas podem caminhar lado a lado, em auxílio recíproco. Uma não rejeita a outra. Ainda que sejam diferentes, são sentimentos intrínsecos à natureza humana.


O tempo é propício para dizer que a política é inerente à pessoa tão quanto a fé. Afinal, estamos vivendo um momento em que as atenções se voltam para a campanha eleitoral, na busca de votos para os gestores públicos na esfera federal e estadual de todo o Brasil, configurando-se assim, uma autêntica caça ao eleitor, cujo poder de decisão está submetido a uma série de fatores, que vão desde a amizade até a real confiança na capacidade de legislar e governar. Afinal, o mundo da política, para muitos, encanta; para outros, preocupa; para outros ainda, tanto faz. Por isso, urge lembrar aquilo que foi atribuído a Platão: “quem não gosta de Política é governado pelos maus políticos”. Lembrando que democracia é participação consciente e não se esgota depois da apuração do pleito eleitoral.


Lamentavelmente, a maioria das pessoas pensa que a política se refere apenas e tão somente ao ato de escolher alguém pelo voto para representar o povo. É também isso, mas não só. É muito mais. A política é tudo aquilo que interessa a todos nós; a começar pelo cuidado das coisas públicas. As pessoas que lutam pelos seus direitos e cumprem os seus deveres na cidade onde moram; que participam de associações de bairro, sindicatos e outras modalidades, estão fazendo política.

Política, e é bom reforçar o que já foi dito, não tem a ver somente com eleições, mandatos parlamentares, partidos políticos ou governo; mas, o agir consciente de cada pessoa deve demonstrar sinais da política do bem comum. Por isso, muito mais do que o voto, nossa escolha representa o destino que pretendemos dar ao nosso Brasil. Nesse sentido, não só é bonito como é justo o envolvimento das entidades de classe que procuram conscientizar o povo para bem escolher os seus representantes, visando à transparência e ao bem comum, compromisso, justiça social, ética, respeito à vida humana a partir da concepção etc.


Por tudo ora exposto, o mundo da política nos envolve a todos, e nos faz participantes efetivos de um processo que não termina no dia em que apertamos o botão da urna eletrônica. Por isso, deve haver a nossa permanente vigilância em todos os atos dos nossos representantes políticos, pois a democracia exige atitudes concretas, participação ativa antes, durante e depois do pleito eleitoral. Para tanto, o Apóstolo Tiago já nos chamou a atenção: “A fé sem obras é morta” (Tg 2,26). Fé e Política são distintas, porém se complementam na prática da vida. A fé não se justifica sem obras. A vivência da fé é necessária e tem como consequência a ação prática da política. Fazer política é uma das formas mais nobres de amar o próximo. Sem olvidar que o voto não tem preço, tem consequência.


Padre Biu de Arruda – é da Arquidiocese de Olinda e Recife e pároco da Paróquia de Santa Luzia

Compartilhe

Tags

Imagem de JC

JC

editores@jc.com.br

Fundado em 1919, o Jornal do Commercio é referência na cobertura jornalística de Pernambuco, do Brasil e do mundo, com relevância e credibilidade.