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Aposte na vida

Faço parte de um grupo de líderes cristãos que estão preocupados com o problema das bets e decidimos não apenas lamentar, mas agir para cuidar

Por JC Publicado em 30/08/2026 às 0:00

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Ivan Rocha


O crescimento avassalador das plataformas de apostas esportivas, conhecidas popularmente como bets, transformou o entretenimento em uma epidemia silenciosa. Estampadas em camisas de futebol, propagandas de TV e conteúdos de influenciadores, essas plataformas vendem a ideia de dinheiro rápido e diversão inofensiva. No entanto, por trás da interface colorida dos aplicativos, esconde-se uma armadilha que destrói finanças, famílias e a vida espiritual de milhares de pessoas.


Faço parte de um grupo de líderes cristãos (católicos e protestantes) que estão preocupados com esse problema de saúde pública, que são as bets. Decidimos não apenas lamentar, mas nos responsabilizar e agir para cuidar dos que estão sofrendo com esse mal, direta ou indiretamente. Lançamos a campanha: “Aposte na Vida”.


Como pastor, tenho acompanhado pessoas que estão, de fato, trazendo sobre si mesmas muita dor, exatamente como Paulo disse ao seu discípulo Timóteo que aconteceria: “Pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. E algumas pessoas, por quererem tanto ser ricas, se desviaram da fé e trouxeram sobre si mesmas muita dor." (1Tm 6:10).


Em razão do nosso posicionamento público, recebemos alguns questionamentos, como por exemplo: quem disse que a igreja tem que se meter com isso? Onde está dizendo que apostar de maneira recreativa é pecado? Pensando nisso, eu me lembrei do que a Bíblia traz, no livro de Provérbios: "A riqueza que vem rápido diminui, mas quem junta aos poucos com o trabalho ganha mais." (Pv 13:11); ou ainda "A fortuna que se ganha depressa no início, no fim não será abençoada.” (Pv 20:21)
Mas pessoalmente, o que me mexe mais comigo é que o sistema das apostas online é desenhado neurocientificamente para causar dependência, gerando picos de dopamina a cada "quase vitória". Rapidamente, o que começou como uma aposta de poucos reais se transforma em compulsão. É feito para ser assim, prejudicial mesmo! O apóstolo Paulo afirma: "Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma" (1 Co 6:12). O cristão que se torna escravo do jogo perde a sua liberdade em Cristo e a capacidade de gerir a própria mente. Para mim essa é a grande questão: a natureza do jogo é diabólica!


A minha oração é que essa campanha “Aposte na Vida” ajude todas as pessoas a manterem-se livres para trabalhar, empreender e também cultivar o contentamento: "Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que têm" (Hb 13:5). E peço a Deus também que nosso esforço em unidade anime os irmãos a buscarem ajuda. Se o jogo já se tornou um vício, confesse a Deus e procure apoio em sua comunidade de fé, além de auxílio profissional/médico.
Que Deus nos dê discernimento e coragem. Amém!
Ivan Rocha bispo da Catedral da Reconciliação – Igreja Episcopal Carismática


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