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Os misericordiosos alcançarão misericórdia

O homem meramente profano é ruidosamente social, o homem místico é silenciosamente solitário, mas o homem crístico é dinamicamente solidário

Por JC Publicado em 23/08/2026 às 0:00

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VALTEMIR RAMOS GUIMARÃES

Diz o Mestre Divino: “Bem-aventurados os misericordiosos porque eles alcançarão misericórdia”. O assunto em pauta vem tratar de um dos ensinos mui profundo do Mestre divino, Jesus Cristo, sobre a “misericórdia”. De início, precisamos dizer que a violência e a falta de misericórdia têm alcançado níveis alarmantes pelo mundo afora. A emblemática frase: “Olho por olho, dente por dente”, ou, “a lei do talião”, é por vezes, mais praticada nos relacionamentos humanos, entretanto, Jesus veio ensinar que a humanidade precisa mais de amor e de misericórdia entre si. Ele disse: “Bem-aventurados os misericordiosos porque eles alcançarão misericórdia”.

O termo misericórdia vem do hebraico “chesed” (DIDAT, 1998, p.499) – bondade, amor infalível. No grego, esse termo geralmente traduz “eleos” e “oiktirmos”. No Novo Testamento o sentido dos termos hebraicos, quase sempre são combinados com “charis” que significa “graça” (Lc 10:37; Hb 4:16). É interessante destacarmos também o termo “sphlanchnos” que significa literalmente “vísceras gentis”, mas geralmente é traduzido como “misericordiosos “(Mt 9:36; Mc 6:34) (Verbrugge, 2018, p.559). No português, a palavra misericórdia vem da junção de duas palavras latinas, no caso, “miseratio” que deriva de “miserere” e significa “compaixão “, e “cordis” que significa “coração “. Logo, misericórdia significa algo como “coração compadecido “, no sentido de ter compaixão pelo sofrimento e a dor de alguém.


“Misericordiosos” – Evidentemente as palavras vêm do Sl 18:25; Cl 3:13; Ef 4:32, mostram que o homem é alvo da misericórdia e precisa da misericórdia divina e que tem obrigação de exercer essa qualidade.  é dinamic O homem meramente profano é ruidosamente social. O homem místico é silenciosamente solitário. Mas o homem plenamente crístico é dinamicamente solidário. Essa solidariedade do homem cristificado não exclui, mas inclui a solidão espiritual do místico. O homem crístico é, por dentro, unicamente de Deus e, por fora, de todas as criaturas de Deus. Ninguém pode ser firme e fecundamente solidário com os homens se não for sólida e profundamente solitário em Deus. A fraternidade humana supõe a paternidade de Deus (Rohden, 2000, p.49).


Os misericordiosos receberão misericórdia, não da parte dos homens aos quais mostraram misericórdia, mas da parte de Deus, em cujo divino amor está radicada a verdadeira caridade humana e de cujo seio brota sem cessar. Não basta “fazer o bem” (dar objetos) – é necessário também “ser bom” (dar o sujeito). O cristianismo não é uma religião meramente ética, que ensine a fazer o bem – mas é, sobretudo, uma religião mística, que exige que o homem seja bom. Fazer o bem é o cumprimento do segundo mandamento, “amarás o teu próximo como a ti mesmo”; ser bom é atitude do primeiro e maior de todos os mandamentos, “amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças”.


Pode alguém fazer o bem sem ser bom, porque esse “bem” é apenas um objeto – mas ninguém pode ser bom sem fazer o bem, porque esse “ser bom” é o próprio sujeito, que, como o próprio vocábulo diz, “subjaz” (jaz por debaixo) como causa a todos os efeitos, que produzem a causa, mas é a causa que produz os efeitos, não são os objetos, o “fazer bem” que produzem o sujeito, o “ser bom”, mas sim vice-versa, o “ser bom” produz o “fazer bem”. Por isso, os misericordiosos que Jesus proclama bem-aventurados, não são apenas pessoas eticamente boas, fazedoras do bem – mas são pessoas misticamente perfeitas, experientes de Deus, e, por isso, essencialmente boas. Tudo que é espiritual e divino é essencialmente gratuito, é de graça, porque é graça; é, todavia, necessário que o homem crie dentro de si o clima propício, ou essa receptividade, é que é a condição, que em hipótese alguma é causa. O diploma crístico vem resumido nas seguintes palavras: “Quando tiverdes feito tudo o que devíeis fazer, dizei: “somos servos inúteis, cumprimos apenas a nossa obrigação, nenhuma recompensa merecemos por isso”.


Que Jesus, o Mestre santo e divino, tenha misericórdia de nós, e que possamos beber das suas fontes de amor e misericórdia para que sejamos aquilo que seus ensinos nos levam a ser: apenas servos cheios de amor e paz para com o próximo.

Valtemir Ramos Guimarães é pastor da Igreja Pent Ass de Deus - PE. M. da APEL - Acad Pern. Evang. de Letras; Graduado: Física (UFRPE); Me. Ciências da Religião; Doutorando em Educação - (81) 99948-1289

 

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