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Foi no seu último suspiro

Na verdade, aqui nesta terra não há ninguém bom em essência porque todos pecaram, todos erraram, mas o perdão de Deus é incondicional

Por JC Publicado em 09/08/2026 às 0:00

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MIGUEL COX

“Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”. Lucas 23:42,43

A diferença do primeiro lugar para o segundo, na natação é de décimos de segundo. Na Fórmula Um, milésimos. Numa corrida de cavalos o segundo lugar perde pelas narinas do que chegou primeiro. Enfim, tudo pode ser decidido no último momento, mesmo numa minúscula fração de tempo. O erro de apenas um grau em um ângulo pode significar um prejuízo tremendo, por exemplo: décadas atrás a NASA lançou um foguete para o planeta Vênus e, pela distância, havia a possibilidade de errar o alvo em trezentos mil quilômetros se a rota não fosse corrigida periodicamente. Pequenas coisas podem fazer grandes diferenças.


Aqui está a história de um homem que viveu fazendo o mal, prejudicando pessoas de bem, e envolvido com tudo o que não presta neste mundo. Finalmente foi preso e sentenciado à morte. Um sujeito mesquinho, mau caráter, ladrão. Mas, vejam que, por ironia do destino, nos últimos momentos da sua vida, foi crucificado ao lado de Jesus Cristo que só fez o bem durante toda a sua vida aqui na terra. Humilhado naquela cruz, sem nenhuma chance de sair dali e reconstruir a sua vida, sem nenhuma virtude que o credenciasse a receber qualquer favor, ele olha para Jesus e diz: “SENHOR, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”! Quanto atrevimento! Esta ousadia de quem não tinha outra saída exceto fazer uma súplica de desespero, recebeu dos lábios de onde só jorra bondade, a resposta inesperada: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”!


Jesus não podia ter dito: “Sem chance, cara”! Por que ali ele estava pagando pelos pecados de toda a humanidade, inclusive daquele sujeito mau caráter! Jesus não selecionou pecados menos danosos dos pecados hediondos, incluiu todos! Podemos argumentar: mas aquele ladrão não merecia misericórdia nem perdão, por isso foi sentenciado à morte. É verdade. Acontece, porém, que tanto a misericórdia quanto o perdão são concedidos gratuitamente justamente a quem não se qualifica receber. É algo que se dar sem merecer. Imaginar que Jesus entrou no céu acompanhado por um ex-ladrão, nos parece bizarro, não é mesmo? Mas foi no seu último suspiro que ele se salvou da condenação eterna e ganhou passaporte carimbado para o Paraíso.


E se eu disser que já estamos condenados perante Deus tanto quanto este ladrão? Não há diferença entre os seus pecados e os nossos. Diante de Deus basta um só pecado para nos rejeitar. Pense numa peça mecânica que está somente com um pequeno defeito, ela é rechaçada porque vai danificar outras. As nossas transgressões também afastaram Deus de nós. Não se maravilhe disto, pois estamos tão longe de Deus quanto aquele ladrão da cruz. Nós igualmente não merecemos perdão, neste item, somos iguaizinhos a ele. O que ele fez, ao suplicar a Jesus um lugar no seu reino, é o mesmo que devemos fazer. Não precisamos esperar para o último suspiro, podemos fazer agora mesmo. O céu não é lugar de bonzinhos, é o lugar de pecadores perdoados.


Aqui nesta terra não há ninguém bom em essência. Todos pecaram, todos erraram.
O perdão de Deus é incondicional. Na verdade, esta é a natureza do perdão. Perdoar significa assumir um erro que você não cometeu. Foi isso que Jesus fez por nós, assumiu todos os nossos erros, todas as atrocidades da humanidade. Isto é espantoso, mas é real. São Paulo escreve: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação”. E, ainda: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (II Coríntios 5:19,21). Ainda que seja no último segundo ou suspiro, ele vai te acolher. Mas, não arrisque por esta hora, você pode antecipá-la agora.

Reverendo Miguel Cox é mestre em Teologia, pastor e membro fundador da Academia Pernambucana Evangélica de Letras - APEL

 

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