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A Paternidade

Ser pai não é apenas transmitir material genético, mas atuar como cooperador da Criação Divina e no progresso de um Espírito em evolução

Por JC Publicado em 09/08/2026 às 0:00

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MARIA JOSÉ MORAIS

A visão espírita transforma a paternidade de um simples papel biológico ou social em um compromisso sagrado de ordem moral e espiritual.


Desse modo, ser pai não é apenas transmitir material genético, mas atuar como cooperador da Criação Divina no reencaminhamento e no progresso de um Espírito em evolução, constituindo uma missão dada por Deus. Fracassar nessa sublime missão, negligenciando a educação moral do filho, traz grave responsabilidade perante as Leis Divinas.


O filho não pertence aos pais; é um Espírito imortal emprestado temporariamente pelo Criador. Muitas vezes, trata-se de um Espírito de bagagem moral até mais antiga ou adiantada que a dos próprios genitores.


A família quase nunca se reúne por acaso. O lar é o laboratório das afinidades e, sobretudo, das reconciliações, sendo o ambiente doméstico um templo de aprendizado e paciência. A paternidade é a oportunidade de transformar débitos do passado em amor e fraternidade..
Sob esta perspectiva, a falta de compromisso e o abandono paterno trazem uma camada profunda de reflexão sobre causa e efeito, livre-arbítrio e responsabilidade moral, sem deixar de lado a compaixão e a pedagogia divina.


Em um mundo de provas e expiações, ainda assistimos com frequência ao abandono paterno — seja pela ausência física ou pelo distanciamento afetivo de pais que se omitem da formação espiritual de seus filhos.


Sob as luzes da reencarnação, a omissão paterna não é vista apenas como uma falha social ou jurídica, mas como um profundo equívoco moral e espiritual, uma grave responsabilidade daqueles que recusam ou negligenciam o chamado da paternidade e cujas consequências se desdobram ao longo da vida presente e nas encarnações futuras.


O pai que se furta ao dever de educar, proteger e exemplificar, descumpre um compromisso assumido no plano invisível e desperdiça a bênção do reajuste e do aprendizado. O egoísmo e a busca por facilidades temporárias no presente convertem-se, pela Lei de Causa e Efeito, em resgates dolorosos no futuro, pois nenhum Espírito evade-se das consequências da semeadura que realiza.


Para a criança atingida pela ausência, a Espiritualidade Superior não desampara: supre, por outros caminhos e corações afins, o amor subtraído. Contudo, ao genitor omisso resta a reflexão de que o tempo no plano físico é curto, e a contabilidade da alma exige de cada um o relato fiel do que fez daquele Espírito que Deus lhe confiara às mãos.


Diante da sublimidade desse sacerdócio, resta-nos render profunda gratidão aos pais que assumiram — e ainda assumem — com coragem e amor a sua missão. Gratidão àqueles que compreenderam a gravidade do compromisso assumido antes do berço e fizeram do próprio lar uma oficina de luz, educando pelo exemplo, consolando nas horas difíceis e indicando o caminho do bem.
Mesmo que um pai tenha tido limitações morais ou dificuldades, o simples fato de ter concedido a bênção do corpo físico para a reencarnação já é motivo de imensa gratidão espiritual. Quando o pai, além disso, desempenha a missão com sublime amor, essa gratidão se multiplica.


Aos pais que já regressaram à Pátria Espiritual, a nossa vibração de afeto e a certeza de que o amor jamais se extingue com a desencarnação; os laços construídos no cumprimento do dever continuam a iluminar além da vida física. E aos pais que hoje enfrentam os desafios do cotidiano na Terra, a nossa prece de encorajamento para que não desfaleçam.


Ser pai à luz do Espiritismo é aceitar ser o farol de uma alma em viagem. Aos que desempenharam essa tarefa com amor e responsabilidade, o nosso mais sincero reconhecimento e gratidão, na certeza plena de que os alcancem no plano espiritual como um bálsamo de luz e alegria, reforçando os laços para as eras futuras.


Maria José Morais é espírita, palestrante e escritora. Está vinculada à Fraternidade Espírita Peixotinho (Recife). É colaboradora do “Pelos Caminhos de Jesus”e do “Prece Pela Vida”, ambos do canal da Ediluz Livros Espíritas.

 

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