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A Justiça é a mãe da paz

A justiça é regida por leis sensatas cuja aplicação promove o bem comum que põem limites para todos e garante a liberdade plena para todos

Por JC Publicado em 07/09/2025 às 0:00

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REVERENDO MIGUEL COX

“Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram”. Salmos 85:10

Qual é o sinônimo de paz? Creio que harmonia é um bom sinônimo. Imagine ouvir um cântico ou um instrumento desafinado, é muito desagradável e irritante. Agora, ouça uma canção interpretada por cantores e instrumentos bem afinados, é uma delícia, merece aplausos e elogios, faz um bem tremendo à nossa saúde corporal, intelectual e espiritual. Competência e Ajuste também podem ser sinônimos de paz. Um motor, por exemplo, bem regulado, que foi construído para executar uma determinada função que desempenha com a eficiência esperada, causa grande satisfação. Isto também é paz, quanto tudo funciona a contento.


A justiça é regida por leis sensatas cuja aplicação promove o bem comum. São leis que põem limites para todos e, ao mesmo tempo, garante a liberdade plena também para todos. Ao contrário do que muitos podem pensar, a liberdade plena reside na observância da lei e não na sua transgressão. A liberdade plena é experimentada na prática do bem. Quando praticamos o mal transgredimos a lei, perturbamos todo o processo de paz e a liberdade dá lugar ao caos. As leis justas garantem a liberdade de todos, porque os nivela indistintamente. Ninguém, absolutamente ninguém, pode estar acima ou abaixo da lei.


A justiça, portanto, é esta afinação ou ajuste que harmoniza todas as relações sociais. O que se aplica a um, aplica-se a todos e vice-versa. Quando há justiça a paz nasce. E o contrário é igualmente verdade, a injustiça gera o caos, a desorganização, as disputas, as insatisfações, etc. Diz o profeta Isaías: “O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre” (32:17).

A busca da harmonia social, em qualquer país ou instituição, passa pela boa vontade coletiva de fazer valer o direito de todos sem exceção. Para isso acontecer, outros ingredientes precisam ser acrescentados como: a boa vontade, o tratamento igualitário, a consideração ao próximo, a preocupação em não prejudicar ninguém, etc. E outros ingredientes precisam ser retirados como: a competitividade desnivelada, a cobiça, a inveja, a disputa pela primazia, a sanha de se obter vantagens, e demais comportamentos desses gêneros.


“Desconhecem o caminho da paz, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortuosas; quem anda por elas não conhece a paz” (Isaías 59:8). Observe quatro tropeços graves: 1) Desconhecimento do caminho da paz; 2) A falta da aplicação da justiça; 3) Conceções perigosas (que são as veredas tortuosas); 4) E desvios prejudicaram a paz. Tudo isso se deu por conta de desprezar as leis dadas por Deus a Moisés, que tinha como finalidade construir uma nação forte, pacífica e ordeira. Quando esta constituição foi desprezada, instaurou-se leis injustas, complacentes para alguns e rigorosas para outros, conforme a conveniência dos interesses. A hermenêutica foi para o ralo e o desvio de rota os afastou do alvo desejado.


Nenhuma sociedade viverá em paz enquanto a justiça não for estabelecida, acreditada e exercida. Vivemos num mundo onde a injustiça tem associados que vendem sentenças, distorcem as leis, prejudicam inocentes, tornam ineficaz o sistema judiciário, aceitam a corrupção, e assim por diante. No entanto, podemos renovar a nossa esperança na verdade, esta há de prevalecer sempre. “Portanto, não os temais; pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser conhecido” (Mateus 10:26). Há muitos que lutam tenazmente pela justiça e agonizam por uma sociedade ordeira, pacífica e próspera.


Sabemos que a paz absoluta só pode acontecer com a justiça igualmente absoluta. Isto só ocorrerá sob o total controle divino que, inclusive, conhece os propósitos do coração de cada indivíduo e que tem ciência de todos os fatos, portanto, julgará com plena retidão. Porém, até que isso venha realizar-se um dia, do qual não sabemos se está longe ou perto, vamos nos empenhar pela implantação da justiça entre nós. Pode não ser perfeita, mas pode ser bastante melhorada. Cabe a cada um de nós fazer a sua parte, esforçando-nos pela disseminação do bem e inibição dos males que tanto nos molestam. Vamos nos empenhar para que “a Justiça e a Paz se beijem”. A nossa sociedade merece viver dias melhores!

Rev. Miguel Cox é pastor evangélico, mestre em teologia e membro da Academia Pernambucana Evangélica de Letras

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