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Sejamos Fortes e Corajosos

A vida requer um componente espiritual, que só pode ser alcançado por meio do exercício da fé, que é uma entrega para os braços de Deus

Por JC Publicado em 24/08/2025 às 0:00

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EDUARDO PEREIRA

“Não chores, meu filho; Não chores, que a vida. É luta renhida: Viver é lutar.
A vida é combate, que os fracos abatem, Que os fortes, os bravos só podem exaltar” (Canção do Tamoio, Gonçalves Dias)

Quando eu era estudante na década dos 1970, gostava muito das aulas de Literatura do professor Gilberto Lobato de Medeiros, no velho prédio do Colégio da Polícia Militar, na Rua Tabira, onde hoje funciona o EGAPE, Escola de Governo da Administração Pública de Pernambuco. Suas aulas eram temperadas com seminários sobre as gerações da poesia, os estilos dos grandes poetas e prosadores, a interpretação de clássicos e a importância da sensibilidade na formação humana. Um dos poemas que nunca saiu da minha mente foi a “Canção do Tamoio”, um épico de Gonçalves Dias, em que um pai indígena, ao contemplar o nascimento de seu filho que – como todo recém-nascido está chorando –, procura passar-lhe as virtudes do povo Tamoio: coragem e força. O referido pai, já experimentado na rudeza de seu tempo, sabe que o mundo em que vivemos requer uma postura firme e uma atitude altiva para o enfrentamento das muitas dificuldades que se apresentam.


Essa realidade (dos embates da vida) atravessa as eras e coloca em realce uma questão recorrente: o que devo fazer diante dos desafios diários de um mundo marcado pela competição, pela busca da satisfação pessoal e pelo abandono da fé?


O apóstolo Paulo escreveu aos cristãos das várias igrejas de sua época, buscando levar uma palavra de encorajamento e confiança, porque muitos enfrentavam dificuldades e não sabiam como agir, pois, ainda não existiam os consultórios de terapia da pós-modernidade, por óbvio.


Numa dessas passagens bíblicas, o destacado apóstolo aconselha a congregação da igreja em Corinto, de forma didática, a manter atitudes adultas e determinadas diante dos embates da vida. Ele diz escreve textualmente: “Vigiem, estejam firmes na fé; sejam corajosos e fortes. Todas as vossas coisas sejam feitas com amor”. Pode parecer simplista alguém ter uma atitude madura pela mera evocação de algumas palavras, mas a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus. Muitas pessoas não reagem diante das lutas da vida porque querem viver sem fé, sem esperança, apenas consumindo e ostentando, atormentados por um incômodo, e cada vez maior, vazio existencial.

A vida requer um componente espiritual, que só pode ser alcançado por meio do exercício da fé, que é uma entrega, um salto no escuro para os braços de Deus. Vigiar é estar atento para que o inimigo não nos tome de surpresa. Que inimigo é esse? O desânimo, a desesperança, o pessimismo, a autopiedade e outros sentimentos que só fazem mal à alma. Quando o apóstolo dos gentios sugere que sejamos corajosos e fortes, o texto original em grego está dando a conotação de que devemos ser ousados na batalha, sem recuar e nem se abater. Ninguém na trincheira quer estar ao lado de guerreiros hesitantes e derrotistas, mas de homens e mulheres bravos e destemidos.


O texto aconselha, finalmente, que tudo na vida seja feito com amor, porque, se assim acontecer, um dia levantaremos pela manhã e experimentaremos a liberdade real com que Jesus Cristo nos libertou. Gosto de frase de Plummer e Robertson: “Quando eu amo os outros, amo a mim mesmo. Quando amo a Jesus, amo os outros”.


Podemos imaginar um mundo em que as pessoas buscam viver plenamente, tratando os semelhantes como gostariam de ser tratados? Enfrentando as lutas com coragem e ousadia? Sim, podemos. É uma questão de atitude. Sejamos fortes e corajosos e a vida terá um novo sentido.

Eduardo Pereira é teólogo, bacharel em Direito pela UFPE, pastor, membro da Academia Pernambucana Evangélica de Letras e coronel veterano da Polícia Militar de Pernambuco

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