Maria Digna Pessoa de Queiroz: O adeus à pernambucana que uniu a tradição do açúcar à arte da tapeçaria
Aos 93 anos, a empresária pernambucana deixa um legado de empreendedorismo social, elegância e quase cinco séculos de história familiar
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A sociedade pernambucana se despede da empresária Maria Digna Pessoa de Queiroz, que faleceu na noite da última quinta-feira (18), aos 93 anos. Vítima de uma morte súbita, Maria Digna partiu deixa um legado de leveza. Antes de morrer, ela participou de confraternização com funcionários de sua empresa.
O velório ocorrerá neste domingo (21), às 8h, na Capela Nossa Senhora das Graças, no Instituto Ricardo Brennand. O sepultamento está marcado para o meio-dia, no Cemitério de Santo Amaro.
Trajetória, tradição e inovação
Maria Digna não foi apenas uma testemunha da história de Pernambuco, mas uma de suas protagonistas. Descendente de Brites de Albuquerque, esposa do primeiro governador da Capitania de Pernambuco, Duarte Coelho, ela carregava no sangue a tradição de uma família que cultiva cana-de-açúcar há quase 500 anos.
Criada na Usina Pedrosa e, após o casamento com o engenheiro Ricardo Pessoa de Queiroz, moradora da Usina Santa Therezinha, ela viveu intensamente o universo canavieiro, tendo sete filhos — entre eles os empresários José Pessoa e Ricardo Filho.
Seu legado mais visível nasceu de sua sensibilidade social e artística. Em 1965, ao lado da amiga Edith Pessoa de Queiroz, ela percebeu o talento de costureiras e rendeiras de baixa renda que não tinham como trabalhar fora. Dessa observação nasceu a Tapetes Casa Caiada, fundada oficialmente em 1966.
O projeto, que começou em uma pequena casa de paredes brancas — o que deu origem ao nome —, transformou-se em um artesanato sofisticado e mundialmente valorizado, com desenhos inspirados nos azulejos coloniais portugueses dos séculos XVII e XVIII.
Maria Digna orgulhava-se de ver as criações de centenas de artesãs pernambucanas sendo exportadas para diversos países e brilhando em vitrines de São Paulo.
Por sua trajetória marcante, Maria Digna foi imortalizada como uma das personagens do livro "Mulheres da Cana-de-Açúcar", lançado em 2023, reconhecendo sua visão de um desenvolvimento sustentável que ia muito além do assistencialismo.