Tarifaço dos EUA derruba preço da cana e Alepe discute saída para evitar colapso do setor
Audiência proposta pela AFCP discute efeitos do tarifaço dos EUA e pede subvenção emergencial de R$ 12 por tonelada para canavieiros
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Nesta segunda-feira (1), a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realiza, a pedido da Associação Estadual dos Fornecedores de Cana (AFCP), uma audiência pública para discutir os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre a cultura da cana, ainda vigente para o etanol e o açúcar.
O segmento é um dos mais tradicionais e estratégicos da economia pernambucana, responsável por milhares de empregos e pela movimentação de milhões de reais, incluindo tributos.
Segundo Alexandre Andrade Lima, presidente da AFCP, o momento é de extrema preocupação.
“Estamos aqui para mostrar aos deputados e à sociedade o momento difícil que os produtores de cana estão passando. Depois da tarifa e da baixa do preço do açúcar no mercado internacional, o preço da cana despencou quase 40%, enquanto os custos aumentaram em relação ao ano passado.”
Comercialização
Em Pernambuco, a tonelada da cana vendida às usinas em novembro foi comercializada por R$ 129,71 – o menor valor registrado desde janeiro de 2021.
De acordo com a AFCP, o cenário tem provocado uma “destruição silenciosa” da cadeia produtiva, tornando inviável o cultivo em diversas regiões do Estado.
Diante desse quadro, o setor reivindica apoio dos governos estadual e federal. Entre as medidas solicitadas está a criação de uma subvenção emergencial de R$ 12 por tonelada de cana produzida no Nordeste, proposta que já tramita no Congresso Nacional e se inspira em ações adotadas nos governos Lula e Dilma durante períodos de crise provocados pela seca.
A AFCP, em parceria com o Sindicato dos Cultivadores de Cana de Pernambuco e associações dos demais estados produtores da região, articula ainda iniciativas conjuntas para sensibilizar parlamentares e o governo sobre a urgência de medidas que garantam a sobrevivência econômica do setor.
Encaminhamentos
Durante a audiência, o deputado Antônio Moraes (PP) afirmou que as propostas apresentadas serão levadas diretamente ao governo do Estado.
“Eu tive a oportunidade de conversar hoje com o secretário da Casa Civil (Túlio Vilaça) e o secretário da Fazenda (Flávio Mota), e já antecipamos alguns encaminhamentos do que poderá ser proposto aqui.”
Ele acrescentou que buscará uma reunião com a governadora Raquel Lyra (PSD) para apresentar oficialmente as demandas do setor.
“Terminada a audiência, vamos solicitar uma audiência com a governadora para levar essas propostas, algumas já aplicadas no passado e outras que o setor está detalhando agora. É um ganha-ganha: ninguém perde.”
Alexandre Andrade Lima reforçou que a audiência busca visibilidade e engajamento para enfrentar a crise.
“Esperamos sensibilizar todos para que nossas ações tenham êxito.”